sábado, 26 de novembro de 2016

EFEITOS DO PECADO MORTAL


O pecado mortal é um mal absoluto, extremo; é a maior desgraça tanto para a alma como para o corpo. Podemos avaliar este mal pelos seus efeitos: 1- Danos espirituais; 2 - Danos  temporais.

1 - Danos espirituais: a) A PERDA DA GRAÇA DE DEUS E A DEFORMIDADE DA ALMA. - A alma na graça de Deus é tão bela que se pode dizer por pouco inferior aos anjos. É cara a Deus como a menina de seus olhos. Ela é a moradia de Deus: "Quem está na caridade está em Deus, e Deus nele" (1 Jo IV, 16). Os que estão na graça de Deus participam da própria natureza divina: "Participantes da natureza divina" (1 Pedro I, 4). Pois bem, com o pecado mortal, a alma torna-se disforme, feia, asquerosa. Era moradia de Deus, torna-se moradia do Inimigo e parecida com ele. Lemos na vida de São Filipe Neri que quando passava perto de alguém que tivesse pecado mortal na alma, tapava o nariz com o lenço, pois sentia um insuportável mal cheiro.

b) - A PERDA DOS MÉRITOS ADQUIRIDOS. O pecado mortal dá a morte aos méritos de todas as boas obras até então praticadas. Tornam-se obras mortificadas, sem valor. Pela misericórdia infinita de Deus, porém, se o pecador se arrepende e faz uma boa confissão ou tem uma contrição perfeita com o desejo de se confessar na primeira oportunidade, recupera todos estes merecimentos: dizemos que o mérito destas boas obras ressuscita. O pecado mortal pode assim ser comparado a um navio carregado de tesouros e que afunda num naufrágio. 

c) - A INCAPACIDADE DE MERECER. Além de perder os méritos já adquiridos, quem está em pecado mortal não pode adquirir nenhum mérito para a vida eterna. E isto constitui uma desgraça maior ainda, porque todas as obras boas praticadas estando em pecado mortal, são perdidas para sempre, isto é, nunca ressuscitam. É como diz o profeta Ageu I, 6: "O que ajuntou os seus ganhos, colocou-os num saco furado"."Se o justo se afastar de sua justiça e pecar... todas as obras justas que ele haja feito serão esquecidas" (Ezequiel XVIII, 24). É claro que aquele que está em pecado mortal e ainda não se arrependeu para fazer uma boa confissão, não deve deixar de fazer boas obras e de rezar, porque Deus, em sua infinita misericórdia, ainda olha para estas obras, para dar a este pecador a graça da conversão. Se assim fizer, o pecador recupera a graça de Deus, mas não recupera as obras boas que fez estando em pecado mortal, pois, já nasceram mortas.

d) - A ESCRAVIDÃO. "Quem comete o pecado é escravo do pecado" (S. João, VIII, 34), e por isso é escravo do dono do pecado que é o demônio. O diabo tenta e, se o pecador vira as costas para Deus, seu Pai, e volta-se para o demônio para fazer o mal que ele sugere, o Inimigo da alma  tem a vitória e diz: "Agora és meu!"

e) - A MORTE DA ALMA. "A vida de tua alma é Deus",  diz Santo Agostinho . E assim, se se expulsa a Deus, está morta a alma. Trata-se da morte espiritual. A alma é imortal, nunca vai acabar, mas com o pecado mortal ela está sem a vida sobrenatural. E esta morte espiritual é muito pior que a morte temporal. Às vezes, trazem aqui pessoas que parecem possuídas do demônio.  Muitas vezes nem é possessão. Os parentes e amigos ficam preocupadíssimos. E com razão. Mas procuro aproveitar a oportunidade para explicar que o mais terrível é a possessão da alma.  Com o pecado mortal, Deus é expulso, e, em Seu lugar entra o demônio. De Judas Iscariotes, que já estava em pecado mortal, Jesus disse: Há um no meio de vocês (os Apóstolos) que não está limpo, porque está com o demônio. Isto é terrível! Mas como é invisível quase ninguém dá importância. É, como diz a Bíblia: "O pecador comete o pecado como por brincadeira, e depois, ainda diz, que mal me adveio daí" (Prov. X, 23; Eclo V, 4 ) São João, no Apocalipse, diz ao pecador: "Tu te chamas vivo e estás como morto" (Apoc. III, 1).

f) - A PERDA DO CÉU.  O infeliz Lutero (+ 1546), que antes era frade e sacerdote, depois se meteu pelo caminho do pecado, apostatando da religião católica, falando os maiores absurdos do Papado. Dizia que todo mundo era infalível ao interpretar a Bíblia, menos o Anti-Cristo, o Papa. Pois bem, uma noite, ao fitar o céu estrelado, cheio de remorsos,  teve de exclamar: "É tão belo o céu, mas não é mais para mim!". Por um prato de lentilhas, Esaú renunciou o direito de primogenitura e depois, vendo a sua loucura, se afligia e rugia como um leão ferido. Mas aquele direito, a que renunciou era de uma herança terrena: ao passo que o pecador renuncia à herança do Céu!

2 - Danos corporais: a) A PERDA DA PAZ. O Senhor disse: "Não paz para os ímpios" (Isaías 48, 22). Diz ainda dos pecadores o Espírito Santo: "Em seu caminho há aflição e calamidade, e não conheceram o caminho da paz" (Salmo XIII, 3).

b) OS CASTIGOS DE DEUS: Assim diz o próprio Deus: "Muitos são os flagelos do pecador" (Salmo 31, 10). Como já vimos, Deus puniu o pecado já no céu. Jesus disse: "Vi Satanás cair do céu como um relâmpago" (S. Lucas, X, 18). Depois, pune o pecado no Paraíso terrestre. O dilúvio foi castigo do pecado. Lemos na Bíblia que os habitantes de Sodoma e Gomorra eram péssimos e pecadores descomedidos perante Deus (Gên. XIII, 13) E Deus mandou um dilúvio de fogo, que queimou e incinerou aquelas cidades com todos os habitantes. Só escaparam 4 pessoas - a família de Lot - que eram tementes a Deus e não cometeram aqueles pecados que bradam ao Céu. Diz ainda o Espírito Santo: "O pecado faz infelizes os povos" (Prov. XIV, 34).
Caríssimos, e se vedes que uns cometem tantos pecados e no entanto não são castigados por Deus, ficai sabendo que o castigo virá para eles também, cedo ou tarde; e quanto mais tardar a vir, tanto mais tremendo será.

Sigamos o conselho do Divino Espírito Santo: "Fugi do pecado como se foge da serpente" (Eclo XXI, 2). Amém

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA: OBRA PRIMA DA MISERICÓRDIA DIVINA

LEITURA ESPIRITUAL - Dia 21 de novembro 


"Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (S. João XX, 22 e 23).


O Senhor mostra-se misericordioso na absolvição sacramental. Procuremos compreendê-lo através de uma parábola. - Uma vez havia um rei poderoso, bom e misericordioso. Esse rei acolheu em seu palácio um homem pobre e ignorante. Ele mandou vesti-lo de novo, instruir, educar. Depois lhe deu um alto cargo em sua corte. Um mendigo transformado em cortesão! Mas, ouvi o que ele fez. Em vez de ser reconhecido e fiel a seu benfeitor, tentou, com uma traição fazer uma conjura para expulsar do trono o rei. Este, porém, descobriu tudo a tempo, e com toda justiça condenou-o à forca, já que se tratava de crime de lesa-majestade. - Quando, na grande praça cheia de gente, lá estava o carrasco para enforcar o malfeitor, eis que chega um escudeiro do rei, o qual grita: "O rei quer conceder graça a esse assassino..., mas sob uma condição...!" O cortesão retoma fôlego e abre o coração à esperança. Mas pensa: qual será esta condição? Ei-la: arrependido, ele devia confessar a sua culpa (que era secreta) a um dos Ministros, à sua escolha. Conjecturai o contentamento do condenado! Ter a salvação por tão pouco preço! É claro: confessou logo o seu crime, e o Ministro verificando que o culpado estava arrependido, em nome do rei, deu-lhe o perdão. Depois o bom rei ainda o acolheu em seu palácio.

Aplicação da parábola: Quem é o rei? É Deus. E o malfeitor, quem é? É o pecador que ofendeu um Rei e um Pai tão bom. Tal pecador mereceu a condenação ao inferno. Mas como o Senhor quer a salvação de todos, eis que instituiu um Sacramento, por meio do qual qualquer pecador, manifestando a um Ministro de Deus os seus pecados, ainda pode obter o perdão e salvar-se. É o Sacramento da Penitência ou Confissão. O culpado deveria se arrepender do que fez e ter propósito firme de nunca mais fazer o mal porque ofendeu a um Pai tão bondoso, ofendeu ao Sumo Benfeitor que é também o Supremo Senhor, e é a própria Bondade. Seria o ideal! Mas Deus se contenta com um arrependimento imperfeito, isto é, movido mais pelo medo do castigo do que propriamente por amor a um Pai tão bondoso! Por este temor o pecador não quer pecar mais e tem esperança do perdão pelos merecimentos de Jesus Cristo. Deus Pai, enviou ao mundo o seu queridíssimo Filho Único, no qual põe toda a sua complacência. O Filho de Deus se fez Homem, tomou um corpo para poder sofrer e morrer por nós na Cruz. E antes de subir aos Céus, deixou o Sacramento da Penitência pelo qual o seu Sangue Divino, lava as nossas almas, e em atenção ao seu valor infinito, o Pai perdoa o pecador mesmo quando só apresenta um arrependimento imperfeito, que se chama atrição. Isto constitui grande consolo! Nem sempre estamos certos de atingir aquela detestação do pecado como ofensa ao Sumo Bem, que move infalivelmente Deus a nos conceder o perdão. Sem embargo, as nossas disposições, acaso menos perfeitas, não obstam a que, no Sacramento, obtenhamos, pela absolvição do sacerdote, plena misericórdia. Desde que chaguemos ao confessionário atritos, decididos a não mais recair, ser-nos-ão perdoadas as culpas.

Daí a grande responsabilidade dos sacerdotes quanto aos moribundos. Não deixemos os nossos caros enfermos comparecerem diante do Juiz sem terem recebido o Sacramento da Penitência. Não sabemos se lograrão chegar à contrição perfeita! Estando em pecado mortal, e só conseguem ter a atrição e não recebem o Sacramento, estão condenados para sempre! O Papa S. Celestino I (422-432) exprobrava aos rigoristas de antanho de matarem cruelmente as almas dos doentes, recusando-lhes a absolvição no leito de morte (D. 111). O mesmo crime cometem os progressistas laxistas de hoje, por descaso ou mal entendida misericórdia.

Mas há  um  detalhe importantíssimo que não consta na parábola: Imaginemos que aquele culpado da parábola, depois de ser assim tão misericordiosamente perdoado e restituído à amizade do rei, recaísse ainda muitas e muitas vezes, mas sempre arrependido embora só imperfeitamente, confessasse o seu crime ao Ministro do Rei. Seria sempre perdoado em atenção aos méritos infinitos do Sangue que o Filho do Rei derramou numa Cruz por toda a humanidade.

E assim, caríssimos, um pecador está no fundo do abismo, sobrecarregado de enormes e numerosas faltas. Se morresse assim sem ter um arrependimento perfeito com o desejo de se confessar, ou então com arrependimento imperfeito mas sem ter recebido a absolvição (às vezes a unção dos enfermos) estaria condenado eternamente. Mas se confessa com o coração penetrado de dor, ao menos da contrição imperfeita, com que a divina bondade se contenta, quando se junta ao sacramento, e ei-lo reconciliado com Deus e consigo mesmo! Os seus pecados estão perdoados; deixam de chamar sobre a sua cabeça terríveis vinganças, porque já não existem. "Por amor de mim, diz o Senhor, por amor da glória que tenho em perdoar, eu mesmo apagarei as tuas iniquidades, e não me lembrarei dos teus pecados" (Cf. Isaías XLIII, 25). O silêncio absoluto a que é obrigado o meu confessor, é o sinal do silêncio eterno que Deus guardará a respeito das minhas prevaricações. Afogam-se no Sangue de Jesus Cristo, como os Egípcios nas ondas do Mar Vermelho.

Mas o Sagrado Coração de Jesus deseja que creiamos sem duvidar nunca do seu perdão. Porque ele é Deus, mas Deus de amor! É Pai, mas Pai que ama com ternura e não com severidade. O Coração de Jesus é infinitamente sábio, mas também infinitamente santo, e como conhece a miséria e fragilidade humanas, inclina-se para os pobres pecadores com Misericórdia infinita. Jesus Cristo ama as almas, depois que cometeram o primeiro pecado mortal, e vêm pedir humilde e confiantemente o perdão. E ama-as ainda, quando choram o segundo pecado e, se isso se repetir, setenta vezes sete, ou seja, sempre, ama-as e perdoa-as sempre, e lava no mesmo Sangue divino o último como o primeiro pecado. O Coração de Jesus não se cansa das almas, e espera sempre que venham refugiar-se n'Ele, por mais miseráveis que sejam! Não tem um pai mais cuidado com o filho que é doente, do que com os que têm boa saúde? Para com esse filho, não são maiores as delicadezas e a sua solicitude? Assim também o Coração de Jesus derrama sobre os pecadores, com mais liberalidade do que sobre os justos, a sua compaixão e a sua ternura. Na verdade a Misericórdia do Coração de Jesus é inesgotável: às almas frias e indiferentes, o Coração de Jesus é fogo, e fogo que deseja abrasá-las, porque as ama; às almas piedosas e boas, o Coração de Jesus é caminho para se adiantarem na perfeição e chegarem com segurança ao termo feliz. Mas Jesus Cristo quer que todas as estas almas se aproximem do Sacramento da Confissão com grande confiança na sua Misericórdia.


E ainda mais: o pecador privado de todos os bens e prestes a cair no desespero pela sentença de condenação, recupera todos esses bens e inunda-se de alegria pela sentença da absolvição. Tudo quanto tinha perdido, separando-se de Deus, lhe é restituído ao reconciliar-se com Jesus Cristo: "Não há condenação, para os que estão incorporados em Jesus Cristo". Os merecimentos adquiridos, poder de merecer, doce paz, direito ao Céus, eis o que ainda recebe de volta pela misericórdia divina dispensada na absolvição sacramental. Ó reconciliação cheia de encantos, quem pode conhecer-te, e recusar a felicidade que tu obténs. Razão tinha São Paulo em dizer: "Quem não amar a Jesus Cristo, seja anátema!"

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A BATINA

ORIGEM
   Padres e fiéis vestiam-se da mesma túnica de mangas largas, toga e manto, na primitiva Igreja. Veio depois, com as invasões bárbaras, o uso de vestes curtas e exóticas, Só então é que, no Concílio de Macom em 581, a Igreja tornou obrigatório aos clérigos o uso da toga. Começa daí a distinção entre leigos e clérigos, no modo de trajar. E os cânones castigavam com penas severas os clérigos que ousassem trajar vestes seculares. No século XIII introduziram-se abusos na toga. Usavam-na muitos clérigos de cores berrantes e de ricos tecidos. Diversos Concílios protestaram  contra estas vaidades pouco edificantes em homens consagrados ao serviço de Deus. Foi regulamentado o uso das cores: o vermelho e o verde eram reservados só aos bispos. Os sacerdotes e clérigos inferiores podiam escolher entre o roxo, o preto e o branco. Mas, ai! a impenitente vaidade humana ainda achou pábulo na veste clerical. Vieram as golas plissadas  e  bordadas com arte e fino gosto, as sobre-mangas de seda, etc. Era mister uma reforma. Vem Xisto V, o severo Pontífice das reformas. Em 1588 pela Bula "Sacrosanctum", fica definitivamente introduzido o uso da batina como hoje a temos. Os termos da Bula de Xisto V são enérgicos. A veste eclesiástica será toda preta, longa e bem fechada. A vaidade de alguns clérigos e os alfaiates encontraram, na batina da Bula "Sacrosanctum" , uma barreira intransponível. Que fariam diante desta mortalha preta e simplificada ao extremo (Dictionaire des connaissances religieuses....(soutaine)  tomo VI).
  
SIMBOLISMO
   A Igreja de Deus, dirigida pelo Divino Espírito santo, faz transparecer nas coisas sensíveis e exteriores o quanto possível, o que há de mais oculto nos seus mistérios. Pelos gestos, vestes litúrgicas, cerimônias etc. Traduz na medida do possível o que se passa nas profundezas da alma. A veste clerical, a batina, não foi arbitrariamente imposta ao clérigo. Tem um simbolismo profundo e belo. Ela nos repete as palavras de Jesus Cristo aos discípulos: "Vos de mundo non estis". "Vós não sois do mundo". E como não é o padre do mundo, diz Bossuet, nos recorda que ela é a bandeira mortuária do mundo.
   E sob este aspecto é que é preciso considerá-la. Estamos mortos para o mundo para vivermos com o Cristo para sempre. O beato Olier no seu admirável "Traté des saintes Odres" nos dá o simbolismo da batina, da santa batina, "la sainte soutaine", como ele sempre a chamava. "A santa batina, diz o bem-aventurado Olier, é um sudário que nos traz sepultados, e exprime ao bispo o estado de morte e de sepultura em que pela obediência o clérigo se apresenta diante de seu prelado. Eu digo a santa batina, porque sendo a Igreja um mundo novo, um mundo de santidade, na qual fomos chamados a representar Deus e Jesus Cristo, Seu Filho, nada pode aí haver que não seja santo. A santa batina diz que o clérigo morreu para o século e dele há de se separar pelo coração como está separado pelo hábito. A santa batina cobre todo o seu corpo para testemunhar que toda a carne está morta em Jesus Cristo. São Paulo diz que todo cristão deve estar cercado em todo o seu corpo da morte de Jesus Cristo: "Semper mortificationem Jesu in corpore nostro circumferentes" (2 Cor., IV, 10).
   É o que simboliza a santa batina cobrindo todo o corpo do clérigo como um hábito de morte, que só deixa ver a cabeça, os pés e as mãos. A cabeça para nos dizer a nós padres, que somos: "Viri caput Christus"; mãos livres, para as boas obras, para a luta pelo reino de Deus; dos pés para a evangelização; " Bem-aventurados os pés daqueles que evangelizam"... Quanta lição no simbolismo da santa batina!!!
  
Exortação do Santo Padre João Paulo II (hoje santo) ao Clero de Bolonha, no dia 19 de abril de 1979.
   Não é cedendo às sugestões de uma fácil laicização que se exprima, ou no abandono do hábito eclesiástico, ou na assimilação dos costumes mundanos, ou na adoção de um ofício profano, não é assim que se aproxima eficazmente do homem de hoje. Tal assimilação poderia talvez, à primeira vista, dar a impressão de vantagem nos contatos imediatos mas que vantagem haveria se ela devesse ser paga com a perda da específica função evangelizadora e santificadora que faz do sacerdote "Sal da terra" e "Luz do mundo"? O risco que o sal se torne insípido e que a luz se apague, é claramente previsto por Jesus no Evangelho. A que serviria um sacerdote assim "assimilado" ao mundo que se torne diminuído e não seja mais o fermento transformador"?
   Exortação do Papa João XXIII, santo: " Convém saber usar por toda a parte e com grande dignidade o traje eclesiástico, nobre e distinto: imagem da túnica de Cristo, sinal resplandecente da veste interior da graça".
    Gosto imensamente do testemunho de convertidos, almas profundamente trabalhadas pelo Divino Espírito Santo: Em primeiro lugar uma poesia escrita por um protestante convertido:
   Aquela simples batina
   Que o Sacerdote trazia
   Aos meus olhos de menino
   Lindas coisas traduzia.
               
          Era o emissário divino,
          Tinha  que ser diferente,
           Fosse grande ou pequenino,
           A consolar sempre a gente.

                    Hoje me vai adiante
                    Um moço todo frajola
                    Será "aquele estudante",
                    Ou o padre que vem da escola?

                             Meu padre, estou muito triste...
                             Poderei chamá-lo assim?
                             Será que em ti ainda existe,
                             O pai de todos enfim...?!

                                       Se do pastor protestante
                                       Tu fizeste à imitação,
                                       Deve ter sido um instante
                                       De uma grande tentação.

                                                   Pode o pastor protestante
                                                   Ser um grande pregador. 
                                                   Tu, porém, vais adiante:
                                                    És um Ministro do Senhor!

                                                               Se um ministério do mundo
                                                               Ao protocolo obedece, 
                                                               Ministério tão profundo
                                                               Ser distinguido carece!
  
   Agora o testemunho também de uma convertida, não em versos mas não menos  valioso. É da caríssima Juliana Fragetti Ribeiro Lima já de todos muito conhecida e estimada pelo seu blog "Diligit anima mea". Eis apenas um trecho de seu post "Até um cético vê": "Acreditem, padres, não há coisa mais linda que ver um sacerdote que ama e tem orgulho - no bom sentido desta palavra - do chamado que Deus lhe fez. Que não se envergonha de ser sacerdote, ao contrário. Isso é um colírio numa sociedade secularizada. O padre nos lembra do sagrado, nos lembra de rezar, nos lembra de Deus. Se estivermos afastados, irá nos tocar a consciência: volta a Deus. Se estivermos bem, iremos procurar com mais desejo que nunca a santidade, seremos lembrados que temos muito que caminhar nessa senda da santidade ainda. É lindo andar no centro de uma metrópole como Rio de Janeiro, São Paulo etc e ver um sacerdote de batina. Faz você parar e pensar: dediquei tempo hoje para Deus? Saímos dessa inércia que muitas vezes nos toma."

   A batina também é uma defesa para o padre e para o próximo. Hoje nem tanto, mas nas décadas de 70 e 80 nós padres que conservamos a santa batina, sofremos muito. Comigo mesmo se deram algumas passagens tristes ou melhor divertidas. Uma vez, em plena rua, umas pessoas me chamaram de urubu.  Mas continuei andando e pensando com os botões de minha santa batina: não é que elas têm razão?! Quem tira a podridão e o mau cheiro dos pecados e vícios do mundo? Não é o pobre sacerdote?! Com uma grande diferença: os sacerdotes ressuscitam os mortos espirituais, uns, como a filha de Jairo , logo após a morte; outros,como o jovem filho da viúva de Naim, já sendo levados à sepultura; e outros, como Lázaro, já cheirando mal na sepultura dos vícios e pecados. E também os padres devem por muito tempo ficar pairando nas alturas dos ares puros do silêncio, da oração e da contemplação, bem perto de Deus, para que não se deixem contaminar pelos miasmas do mundo. Outro exemplo:  Umas moças ficaram rindo e dizendo: quem será que morreu? Eu respondi: "Quem morreu foi eu mesmo.. Morri para o mundo, e talvez haja uma outra defunta: a fé de vocês". Mas isto mostra como a batina mexe nas consciências, como bem explicou a Filotéia. "O mundo vos odeia", disse Jesus. São  Paulo diz: "Aqueles que querem viver piedosamente com Jesus Cristo, hão de sofrer perseguições". Afinal muitos acham que os padres de batina são tristes. Não é verdade: somos felizes por sofrer por amor a Jesus as ofensas dos maus e também felizes por ter o apoio e alento dos bons. Como diz São Paulo: "Parecemos tristes, mas sempre alegres..."
Vale a pena terminar com mais uma poesia, esta de autoria de Dom Aquino Correia:

     A MINHA BATINA
Minha pobre batina mal cerzida,                                    
Tu vales mais que todos os amores,                               
Pois, negra embora, enches-me de flores                    
E de esperanças imortais a vida.

Com seus sorrisos escarnecedores,                                 
Zomba o mundo de ti, de ti duvida,                                  
Porque não sabe a força, que na lida,                               
Tu me dás, do teu beijo aos resplendores.

Tu serenas de orgulho as brutas vagas,
E a mostrar-me do mundo a triste sina,
Toda volúpia das paixões apagas.

Oh! como o bravo envolto na bandeira,
Contigo hei de morrer, minha batina,
Ó minha heroica e santa companheira.




domingo, 13 de novembro de 2016

NOVENA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO - OITAVO DIA - DOMINGO


ATOS PREPARATÓRIOS

ORAÇÃO:  -  Santa Margarida Maria, a quem Nosso Senhor escolheu para estabelecer e propagar por toda parte, como uma fonte inesgotável de graças, a devoção a seu divino Coração; vós que tendes ouvido as almas do Purgatório pedir-vos este remédio novo, tão salutar em seus sofrimentos, e que tendes libertado por este meio uma multidão dessas pobres prisioneiras, obtende-nos a graça de executar santamente essa piedosa prática dum passeiozinho pelo Purgatório, em companhia do Sagrado Coração de Jesus e da novena pelas almas.

União de intenções com os fiéis que realizam diariamente, esta santo exercício, na Igreja titular da Obra, situada em Lungotévere Prati. Roma.

Consagração do dia:  -  Ó divino Coração de Jesus, ao fazer em vossa companhia este passeiozinho  pelo Purgatório, nós vos consagramos tudo o que fizemos e esperamos fazer de bem, com o socorro de vossa graça, durante este dia, e vos pedimos apliqueis os vossos méritos em favor dessas almas sofredoras. E vós, santas almas do Purgatório, empregai ao mesmo tempo todo o vosso poder no sentido de nos obterdes a graça de viver e de morrer no amor e na fidelidade ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, correspondendo, sem resistência, a seus desejos sobre nós. Amém.

Oferecimento:  -  Pai Eterno, nós vos oferecemos o sangue, a paixão e a morte de Jesus Cristo, as dores da Santíssima Virgem e as de São José, pela remissão de nossos pecados, pela libertação das almas do Purgatório e pela conversão dos pecadores.

Invocação:  -  Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus!
Ó Maria, Mãe de Deus e Mãe de misericórdia, rogai por nós e pelos mortos!
São José, modelo e padroeiro dos amigos do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós!

Prelúdio:  -  Desçamos um instante pelo pensamento, com o amor do Coração de Jesus e a abundância de suas graças, à chamas devoradoras do Purgatório!
1. -  Quantas vêm nesse momento iniciar aí o seu doloroso cativeiro!
Como elas são felizes! Livraram-se do inferno para sempre... estão certas de que chegarão à suprema felicidade... são as amigas de Deus... estão salvas!
Como elas estão tristes! Acham-se cobertas de mil imperfeições... de muitas penas temporais devidas ainda aos restos dos pecados perdoados... exiladas por um certo tempo de sua celeste pátria... condenadas ao fogo expiatório!
2.  -  Que santa legião quase inteiramente purificada se apresta hoje mesmo para voar ao céu! Felicitemo-las, demos a elas o derradeiro sufrágio que apressará em alguns instantes a sua festiva partida, digamos a elas que se lembrem de nós no reino eterno.
3.  -  Que multidão se encontra aí encerrada já há tanto tempo, e que aí permanecerá ainda por longo prazo!
Há aí almas de seculares, de religiosos, de sacerdotes, almas que nos são caras.
Contemplemo-las, ouçamos seus gemidos, dirijamos a elas uma palavra de amizade e de compaixão, prestemos-lhes assistência!

SÉTIMO DIA  - DOMINGO

COLÓQUIO:  -  De que te arrependes, santa alma do Purgatório, de ter feito na terra que deixaste?

Arrependo-me dos pecados de omissão, especialmente de não ter assistido bem à santa Missa.

Não apreciava bem o valor da santa Missa, renovação do santo sacrifício de Jesus no calvário.
Como é importante assistir bem e frequentemente à santa Missa. Morreu Jesus para salvar as almas, e cotidianamente renova esta morte de modo incruento no santo Sacrifício da Missa. E eu não a estivava bastante. Não ia buscar aos pés do altar remissão dos meus pecados pelo preciosíssimo Sangue de Jesus. Não ia buscar as forças necessárias para resistir às tentações; não vivia em constante união com Deus dos nossos altares. Por isso estou agora aqui e sofro. Sofro com paciência, e merecidamente; mas podia ter sido de outra maneira. O santo Sacrifício da Missa é de um valor infinito, e eu podia ter aproveitado. Se o tivesse feito, agora já estaria no céu, perto de Jesus.
Se na terra tivesse recorrido mais às graças que emanam do Sagrado Coração de Jesus na hora da Santa Missa! ... quão grande seria agora a minha santidade! Que tesouro de graças teria tido na minha alma na hora da morte! Como estaria agora perto do trono de Deus! Se pudesse voltar! ... Mas pelo menos tu, alma devota, que ainda vives na terra, tu podes assistir frequentemente à Missa, enriquecer-te com as graças divinas, aplicá-las também a nós, pobres almas do Purgatório.

PIEDOSAS PRÁTICAS

Resolução:  -  Participar mais frequentemente e intensamente da santa Missa, recebendo a santa Comunhão, também pelas almas do Purgatório.

Ramalhete espiritual  -  Quem comer a minha Carne e beber o meu Sangue, terá a vida eterna, e eu o ressuscitarei no derradeiro dia (Jo, VI).

Sufrágio:  -  Assistir também à santa Missa em dias de semana, quando puder.

Intenção particular:  -  Rezar pelas almas mais abandonadas.

Motivo:  -  As almas do Purgatório nada podem fazer para si mesmas. O tempo de merecimentos próprios passou para elas. Devemos ajudar principalmente aquelas almas, das quais ninguém se lembra.

Oração:  -  Deus onipotente, que todos os dias no Santo Sacrifício da Missa vos ofereceis ao Pai celestial para expiação dos nossos pecados, lançai um olhar benigno sobre as almas do Purgatório, especialmente as mais abandonadas, e dizei-lhes a mesma palavra que dissestes ao bom ladrão: hoje estareis como no paraíso.

 Pai-Nosso, Ave-Maria, Salmo 129.

SALMO 129: : Das profundezas do abismo, eu bradei para Vós, Senhor: Senhor, ouví minha voz!
Que vossos ouvidos sejam atentos à voz de minha oração.
Si tomardes em consideração as nossas iniquidades, Senhor: Senhor, quem poderá subsistir diante de Vós?
Mas vós sois rico de misericórdia; e eu espero em Vós, Senhor, por causa de vossa lei.
Minha alma apoiou-se em vossa palavra, minha alma pôs toda sua confiança no Senhor.
Desde a manhã até à noite, Israel espera no Senhor.
Porque no Senhor existe a misericórdia e uma abundante redenção.
É Ele quem resgatará Israel de todas as suas iniquidades.
Versículo:
Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
E a luz perpétua as ilumine.
Descansem em paz, Amém.


Jaculatória: Pela repetição incruenta de vosso Sacrifício da cruz, livrai as almas mais abandonadas, meu Jesus!

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Quem foi Lutero: segundo São João Bosco.

   NB.: Os santos falam a verdade: SIM SIM, NÃO NÃO. Fizeram o que Nosso Senhor Jesus Cristo fez e ensinou. "A verdade vos libertará". Leiamos, então, a verdade sobre quem foi Lutero. Leiamos o que o grande São João Bosco escreveu no seu livro "COMPÊNDIO DE HISTÓRIA ECLESIÁSTICA" falando da:
"QUINTA ÉPOCA: de 1517 até 1579: 
"Nesta época foi a Igreja tão fortemente combatida, que parecia já tivesse chegado o tempo do Anti-cristo; porém, não obstante isto, conseguiu novos triunfos. Acometeu-a um dilúvio de hereges, e muitos de seus ministros, em vez de defendê-la, se rebelam contra ela e abrem-lhe profundas feridas. Unem-se a estes os príncipes seculares que a oprimem com o ferro, com a devastação e o sangue. O demônio se esconde debaixo do manto de sociedades secretas e de uma filosofia mundana e sedutora, mas, falsa e corruptora: excita rebeliões, e suscita perseguições sanguinolentas. Deus, porém, desvanece os esforços do inferno e os faz servir para sua glória. Novas ordens religiosas, missionários incansáveis, pontífices grandes pela santidade, zelo e sabedoria, unidos todos em um só coração e em uma só alma, e fortalecidos pelo braço do Todo Poderoso, defendem heroicamente a verdade e levam a luz do Evangelho até os últimos limites da terra, conseguindo a Igreja novas conquistas e ainda mais gloriosas virtudes".
Lutero. - "Lutero foi o primeiro a levantar a bandeira da rebelião contra a fé católica, e foi o principal autor dos males que amarguraram a Igreja neste tempo. Com seu sistema perverso de submeter a palavra de Deus ao exame e juízo de cada um, causou mais dano à religião católica, do que todos os hereges da idade passada; de maneira que, se pode chamar este apóstata, o primeiro precursor do Anti-cristo. Nascido em Eisleben, Saxônia, e filho de um pobre mineiro, manisfestou, desde sua mais tenra idade, um gênio muito atrevido. A morte de um condiscípulo, que caiu a seu lado fulminado por um raio, induziu-o a entrar na ordem de Santo Agostinho. Por algum tempo pareceu mergulhado em profundas meditações, e agitado por escrúpulos e temores; porém, descobriu finalmente o orgulho que se abrigava em seu coração; e, declarando-se contra a autoridade do Pontífice romano, saiu do claustro e já não houve meio de dominá-lo. Oprimir aos outros com calúnias e tiranias, ridicularizar e desprezar as coisas mais augustas e santas; soberba, desregramento, ambição, petulância, cinismo grosseiro e brutal, crápula, intemperança, desonestidade, eis os dotes característicos deste corifeu do protestantismo. No ano de 1869 levantaram-lhe na Alemanha uma estátua qual insigne benfeitor da humanidade!!!"
 "No ano 1517, começou a pregar contra as indulgências, portanto, contra o Papa e progredindo na impiedade, formulou uma doutrina que, quer se considere em si mesma, quer em suas consequências lógicas e práticas, contamina tudo o que é sagrado, destrói a liberdade do homem, faz a Deus autor do pecado, e reduz o homem ao estado dos brutos. Entre suas impiedades, é bastante lembrar que, conforme ele afirmava, o homem mais virtuoso, se não acredita firmemente achar-se entre os eleitos, é condenado; e que pelo contrário, o homem mais miserável, irá diretamente ao paraíso, se acredita unicamente que há de salvar-se pelos merecimentos de Jesus Cristo. Tão abominável doutrina foi condenada logo pelo Papa Leão X; todavia Lutero mandou atirar ao fogo publicamente a bula. As Universidades católicas e todos os doutores, clamaram contra aquela impiedade e heresia; mas Lutero zombou deles e persistiu em sua revolta. Ainda que ligado por votos solenes, casou-se com Catarina de Bore, religiosa de um mosteiro de Mísnia. Teve desgraçadamente muitos sectários, que, sob o nome de protestantes, tomaram armas e devastaram todas as regiões onde lhes foi dado penetrar. Levavam escrito em seus estandartes: Antes turcos que papistas. Ao pensar algumas vezes nos grandes males que causava a nova reforma exclamava: "Só tu serás douto? Todos os que te precederam enganaram-se? Tantos séculos têm ignorado o que tu sabes? Que te acontecerá se te enganas e arrastas contigo a tantos para a condenação?" Eram estes os gritos de sua consciência que, a seu pesar, protestava contra suas impiedades; contudo não bastavam para fazê-lo voltar ao bom caminho".
   Até aqui São João Bosco. Quero terminar com uma pergunta: Será "amigo apaixonado de Jesus", será "um reformador de intenções corretas (não erradas): um apóstata, um precursor do Anti-cristo, um tão apaixonado inimigo da Santa Esposa de Nosso Senhor Jesus Cristo?! Sabemos que São João Bosco converteu muitos protestantes... "Amigo apaixonado de Jesus": este elogio foi feito pelo então papa Bento XVI; "Reformador de intenções não erradas": estes elogios foram feitos pelo papa atual. Prefiro acreditar em S. João Bosco, que, sendo santo, nunca esteve contaminado por ecumenismo maldito. 

domingo, 6 de novembro de 2016

LUTERO E JUSTIFICAÇÃO

   NOVIDADE DE DOUTRINA.


  O pastor protestante se gloriava de que o Protestantismo é a única religião do mundo a admitir a salvação só pela fé. É o que diz também Lutero: afirma que a sua teoria da justificação pela fé é o ponto "único pelo qual nós nos distinguimos, pelo qual nossa religião se distingue de qualquer outra religião" (Exegetica Opera XXXIII, p. 140).

Condenado pelo Papa Leão X pelos constantes ataques
contra a Igreja, Lutero demonstra de público sua
desobediência, queimando perante a
multidão, em Wittenberg  (10-XII-1520),
a bula papal "Exsurge Domine" e alguns livros de Direito
Canônico. Por estes atos, em janeiro de 1521 Lutero foi
excomungado e, logo depois, condenado por heresia
pela Dieta de Worms. 
   Realmente, o Protestantismo só apareceu no século XVI. E até aquele século, ninguém se tinha lembrado ainda de interpretar a Escritura de semelhante modo. Porque é tão clara na Bíblia a existência da lei de Cristo, na qual se inclui a obrigatoriedade dos mandamentos, a Bíblia fala tantas vezes na necessidade do amor de Deus e da caridade para com o próximo para conquistar o Céu, a Bíblia insiste tanto em que Deus há de retribuir a cada um SEGUNDO AS SUAS OBRAS, que, até então, em toda a história do Cristianismo, não se tinha podido conceber semelhante absurdo de que o homem se salva só pela fé. Absurdo, sim, porque é tão lógico e tão razoável que o homem, sendo livre nas suas ações, venha a conquistar o prêmio do Céu, entre outras coisas, pela sua reta maneira de proceder, que era preciso que aparecesse um homem que, embora dizendo-se seguidor de Cristo, negasse o livre arbítrio, a liberdade humana, para que se pudesse pregar semelhante doutrina. Este homem apareceu e se chamou Martinho Lutero.

   Deixando de lado certos aspectos nada edificantes da vida deste célebre heresiarca, achamos utilíssimo, para fazermos uma ideia do que vale realmente a teoria da salvação só pela fé, estudar o modo como Lutero chegou a fazer esta "grande descoberta". Mas esta novidade de doutrina já nos deixa com uma pulga na orelha. Não parece estranho que Jesus Cristo tivesse fundado uma Igreja, feito propagar o seu Evangelho para ensinar aos homens o caminho do Céu, e por 15 séculos tivesse deixado a Humanidade às tontas, Ele que vela sobre os homens e principalmente sobre a Igreja pela sua Divina Providência e só no século XVI fizesse aparecer esse Martinho Lutero para ensinar "a verdadeira doutrina da salvação"?

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

ATO DE PERFEITO AMOR DE DEUS

  LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 04 de novembro

"Conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor; quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus nele"... "Nós, portanto, amemos a Deus, porque Deus nos amou primeiro" (1 S. João, IV, 16 e 19). 

 Primeiramente um esclarecimento: Habitualmente, em nosso amor de Deus há mistura de amor puro e de amor de esperança, o que quer dizer que amamos a Deus por Si mesmo, porque é infinitamente bom, e também porque é a fonte de nossa felicidade. Estes dois motivos não se excluem, pois Deus quis que em O amar e glorificar encontrássemos a nossa felicidade. Não nos inquietemos, pois, desta mistura, e, pensando no céu, digamo-nos somente que a nossa felicidade consistirá em possuir a Deus, em O ver, amar e glorificar; então o desejo e a esperança do céu não impedem que o motivo dominante das nossas ações seja verdadeiramente o amor de Deus.
   O Ato de Amor a Deus é a maior e mais preciosa ação que se possa ser feito, tanto no céu como na terra. A alma que faz mais Atos de Amor a Deus, é a alma mais amada por Deus no céu e na terra. O Ato de Amor a Deus é o mais poderoso e eficaz meio para chegar bem depressa, e facilmente, a mais íntima união com Deus, à mais alta santidade e à maior paz da alma. (Beato Olier).
   O Ato de perfeito Amor a Deus realiza imediatamente o mistério da união da alma com Deus. E se esta alma fosse culpada dos maiores erros, ainda que numerosos, adquiriria imediatamente a Graça de Deus com este Ato, com a condição de desejar se confessar o quanto antes. Não pode comungar antes da confissão. Mas queremos dizer que feito o Ato de perfeito Amor a Deus, a alma por mais pecadora é perdoada por este Ato e se morrer antes de se confessar não vai para o inferno. Está salva.
   Este ato purifica a alma dos pecados veniais, das imperfeições, dá o perdão do pecado, dá também a remissão da pena por todos os pecados e restitui os méritos perdidos. O Ato perfeito de Amor a Deus torna a dar a alma imediatamente, a inocência batismal. É este ato o meio eficaz para converter os pecadores, salvar os moribundos, libertar as almas do Purgatório, e para consolar os que sofrem, para ajudar os Padres, para ser útil às almas e à Igreja.
   Um Ato perfeito de Amor a Deus aumenta a glória exterior do próprio Deus, da Santíssima Virgem e de todos os Santos do Paraíso; soergue todas as almas do Purgatório; obtém acréscimo da graça para todos os fiéis sobre a terra, reprime o poder maligno do inferno sobre as criaturas. O menor Ato de amor a Deus chega como bênção e graça até o selvagem que mora na última choupana abandonada nos limites da terra.
   O Ato de Amor a Deus é o mais poderoso meio de evitar o pecado, de vencer as tentações e também para adquirir todas as virtudes e merecer todas as graças.
   "O menor Ato de perfeito Amor a Deus tem mais efeito, mais merecimento e mais importância, que todas as boas obras em conjunto". (São João da Cruz) É óbvio que São João da Cruz está se referindo às obras boas mas não feitas com perfeito amor a Deus.
   O Ato de Amor a Deus é a ação mais simples, mais fácil, mais curta ou rápida que se pode fazer, pois basta dizer com toda simplicidade: "Meu Deus, eu Vos amo".
   É tão fácil fazer um Ato de Amor a Deus. Pode-se realizá-lo a todo momento, em todas as circunstâncias, no meio do trabalho, entre a multidão humana, seja qual for o lugar, e num instante de tempo. O Bom Deus está sempre presente, ouvindo, esperando afetuosamente colher do coração da criatura essa expressão de amor. Ele deseja somente que a alma que faz um Ato de Amor conserve-se atenta um momento para poder Ele, Deus responder-lhe por sua vez: "Eu também te amo; Eu te amo muito!"
   O Ato de amor não requer esforço nem inteligência. Não interrompe a atividade, não exige fórmulas particulares.
   O Ato de Amor não é um ato de sentimento; é um ato da vontade. Elevado infinitamente acima da sensibilidade e é também imperceptível aos sentidos. Basta que a alma diga ou mesmo exprima sem palavras ao bom Deus: "Meu Deus, eu Vos amo!"
   Na dor sofrendo em paz e com paciência, a alma manifesta seu Ato de Amor deste modo: "Eu Vos amo Meu Deus, por isto sofro tudo por amor a Vós!"
   Em meio aos trabalhos e preocupações exteriores, no cumprimento do dever cotidiano: "Meu Deus, eu vos amo, trabalho comVosco, para Vós, por Vosso Amor".
   Na solidão, no isolamento, na imolação, na desolação: "Obrigado, meu Deus, sou assim mais semelhante a Jesus. Basta-me amar-Vos muito!"
   Por ocasião de defeitos, mesmo graves: "Meu Deus, sou fraco, perdoai-me. Recorro a Vós, refugio-me em Vós porque Vos amo muito!"
   Nas alegrias, nas horas de felicidade: "Meu Deus, obrigado por este dom. Eu Vos amo".
   Quando a última hora se aproximar: "Obrigado, meu Deus por tudo. Amei-Vos sobre a terra; espero amar-Vos para sempre no Paraíso!"
   Pode-se fazer o Ato de Amor a Deus de mil modos diversos. Mas ele é realizado de modo particular pela vontade sempre disposta a cumprir a Santa Vontade de Deus, de qualquer modo que ela se apresente e nos seja manifestada.
   Faz-se o Ato de Amor a Deus, também, quando se cumpre mesmo uma pequenina obrigação, quando se sofre uma bem pequena pena ou frui-se qualquer ventura ou alegria, tudo por seu Amor.
   "Para o bom Deus, vale mais apanhar um alfinete do chão por seu Amor, do que realizar ações notáveis por outros objetivos, ainda que honestos", - diz um santo.
   Faz-se Atos de Amor a Deus todas as vezes que se Lhe diz pela vontade: "Meu Deus, eu Vos amo".
   Uma pobre alma, ignorada de todos, pode fazer por dia 10.000 Atos de Amor a Deus. Na realidade, uma alma simples, e que vive no meio do mundo, e no meio da agitação e das preocupações, pode repetir cada dia 10.000 vezes: "Meu Deus, eu Vos amo".
   A ALMA PODE FAZER O ATO DE AMOR A DEUS EM TRÊS GRAUS DE PERFEIÇÃO.
   1º) - Vontade de sofrer quaisquer penas e até mesmo a morte para não ofender gravemente o Senhor. "Meu Deus, antes morrer que cometer um pecado mortal".
   2º) - Vontade de sofrer qualquer pena e até mesmo a morte de preferência a consentir num pecado venial. "Meu Deus, antes morrer que ofender-Vos, mesmo levemente".
   3º) - Vontade de escolher sempre o que for mais agradável a Deus. "Meu Deus, uma vez que Vos amo, quero somente o que quereis".
   Cada um destes três atos contém um Ato perfeito de Amor a Deus.
   Santo não é quem faz milagres, tem êxtases ou visões, mas quem faz mais Atos de Amor a Deus no decorrer do dia.
   Santo não é quem nunca consente num pecado, mas quem faz pecados por fraqueza mas logo se reergue e encontra em sua própria fraqueza nova razão de amar ainda mais o bom Deus e de se abandonar melhor nos braços divinos.
   Santo não é quem se flagela, usa de fortes mortificações ou que foge ao mundo, ou que realiza obras notáveis que maravilham os homens, mas quem diz maior número de vezes e com mais amor ao bom Deus: "Meu Deus, eu Vos amo muito, e por vosso amor, quero florescer onde me semeastes".
   Santo é quem repete com maior vontade e maior número de vezes o Ato de Amor pela jornada diária afora: "Meu Deus, eu Vos amo muito".
   A alma mais simples e escondida, ignorada de todos, mas que faz o maior número de Atos de Amor a Deus, é muito mais útil às almas e à Igreja do que aquelas que fazem grandes obras com menor amor.
   As obras grandiosas e maravilhosas de alguns santos tiveram muito valor justamente porque tiveram como motivo o grande amor a Deus que lhes inflamava a alma.
   Esta postagem é um folheto distribuído por Religiosas no alto da "Escada Santa" em Roma. Foi traduzido para o português e publicado em 1958. Recebeu para tanto o Nihil obstat do Cônego Vital B. Cavalcanti ( Censor ad hoc); e o "imprimatur" = pode imprimir-se - foi dado pelo Mons. Caruso , Vigário Geral no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

PROFISSÃO DE FÉ DO CONCÍLIO DE TRENTO

   Eu  N.  creio firmemente e confesso tudo o que contém o Símbolo da fé usado pela Santa Igreja Romana, a saber: (Segue-se o Símbolo de Niceia-Constantinopla, o mesmo que se reza na Missa).
   Aceito e abraço firmemente as tradições apostólicas e eclesiásticas, bem como as demais observâncias e constituições da mesma Igreja. Admito também a Sagrada Escritura naquele sentido em que é interpretada pela Santa Madre Igreja, a quem pertence julgar sobre o verdadeiro sentido e interpretação das Sagradas Escrituras. E jamais aceitá-la-ei e interpretá-la-ei senão conforme o consenso unânime dos Santos Padres.
   Confesso também que são sete os verdadeiros e próprios sacramentos da Nova Lei, instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo, embora nem todos para cada um necessários, porém para a salvação do gênero humano. São eles: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimônio, os quais conferem a graça; mas não sem sacrilégio se fará a reiteração do Batismo, da Confirmação e da Ordem. Da mesma forma aceito e admito os ritos da Igreja Católica recebidos e aprovados para a administração solene de todos os supraditos sacramentos. Abraço e recebo tudo o que foi definido e declarado no Concílio Tridentino sobre o pecado original e a justificação.
   Confesso outrossim que na Missa se oferece a Deus um sacrifício verdadeiro, próprio e propiciatório pelos vivos e defuntos, e que na Santo Sacramento da Eucaristia estão verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, operando-se a conversão de toda a substância do pão no corpo, e de toda a substância do vinho no sangue; conversão esta chamada pela Igreja de transubstanciação. Confesso também que sob uma só espécie se recebe o Cristo todo inteiro e como verdadeiro sacramento. 
   Sustento sempre que há um purgatório, e que as almas aí retidas podem ser socorridas pelos sufrágios dos fiéis; que os Santos, que reinam com Cristo, também devem ser invocados; que eles oferecem suas orações por nós, e que suas relíquias devem ser veneradas. Firmemente declaro que se devem ter  e conservar as imagens de Cristo, da sempre Virgem Mãe de Deus, como também as dos outros santos, e a eles se deve honra e veneração. Sustento que o poder de conceder indulgências foi deixado por Cristo à Igreja, e que o seu uso é muito salutar para os cristãos.
   Reconheço a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, como Mestra e Mãe de todas as Igrejas. Prometo e juro prestar verdadeira obediência ao Romano Pontífice, Sucessor de São Pedro, Príncipe dos Apóstolos e Vigário de Jesus Cristo. 
   Da mesma forma aceito e confesso indubitavelmente tudo o mais que foi determinado, definido e declarado pelos sagrados cânones, pelos Concílios Ecumênicos, especialmente pelo Concílio Tridentino ( e pelo Concílio Ecumênico do Vaticano, principalmente no que se refere ao Primado do Romano Pontífice e ao Magistério infalível). [ O que está entre parênteses foi acrescentado depois]. Condeno ao mesmo tempo, rejeito e anatematizo as doutrinas contrárias e todas as heresias condenadas, rejeitadas e anatematizadas pela Igreja. Eu mesmo, N., prometo e juro com o auxílio de Deus conservar e professar íntegra e imaculada até ao fim de minha vida esta verdadeira fé católica, fora da qual não pode haver salvação, e que agora livremente professo. E quanto em mim estiver, cuidarei que seja mantida, ensinada e pregada a meus súditos ou àqueles, cujo cuidado por ofício me foi confiado. Que para isto me ajudem Deus e estes Santos Evangelhos!

Observação oportuna: O que o Sacrossanto Concílio de Trento ensinou infalivelmente, Lutero havia negado blasfemamente. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A existência do Purgatório é dogma de Fé

 "Quem deixa esta vida, como membro do Corpo de Cristo, como sarmento vivo na Vide que é Nosso Senhor Jesus Cristo, tem a Vida eterna: não se poderá perder. Sem dúvida, a maior parte dos homens, deixando esta vida, não tem a necessária pureza para entrar no Amor vital mais íntimo com o Deus que é a própria Santidade. Por isso existe um estado de purificação, ao qual se devem submeter essas almas e - como podemos bem afirmar - também se submetem de boa vontade, pois elas conhecem a distância que separa a sua alma de Deus. A este estado chamamos Purgatório. A Igreja nada definiu até hoje, a respeito do modo dessa purificação; os Orientais, mesmo os unidos à Igreja de Roma, evitam a palavra Purgatório. A existência do Purgatório, no entanto, que a própria razão insinua, é também expressamente revelada. Já no Antigo Testamento, no Segundo Livro dos Macabeus está escrito: "É um pensamento santo e salutar, rezar pelos mortos, para que sejam libertados de seus pecados" (2 Macab. XII, 46). Judas Macabeu fez oferecer um sacrifício em Jerusalém por aqueles soldados mortos, que se haviam munido de objetos provenientes de sacrifícios aos ídolos. É certo que as almas do Purgatório sofrem sem aumentar os seus merecimentos, isto é, não podem crescer no amor. Sem dúvida, seus sofrimentos são grandes. Antes de tudo sentem amargamente por se verem excluídos da visão de Deus, até a total purificação. Igualmente certo é que nós, pelo Santo Sacrifício e pela oração, podemos correr em seu auxílio. Não menos certo é também que elas estão absolutamente seguras de sua salvação, o que para elas constitui motivo de grande consolação. O Purgatório torna-se deste modo um lugar de amor e submissão à vontade de Deus". (Extraído da Pequena Teologia Dogmática, autores: D. Rudloff e D. Keckeisen, ambos O. S. B.)
  
  "Em verdade, Senhor, para os Vossos fiéis, a vida não acaba, apenas se transforma; e, desfeita a casa deste exílio terrestre, uma eterna morada se adquire nos céus". Assim, bem mais do que um fim inexorável, a morte é para o cristão uma porta aberta para a eternidade, porta esta que o introduz na vida eterna. 
  Devemos aproveitar este dia para pensarmos também na nossa morte. Temos uma vantagem e uma desvantagem com relação às almas do Purgatório: Elas não podem mais merecer, como acabamos de meditar. Nós, os vivos, podemos. No entanto, elas já estão seguras da salvação. Nós não. Temos que trabalhar com muito esforço para a garantirmos. 
  Terminemos, então, com as palavras de Santo Agostinho: "Concedei-me, ó Senhor, que com a morte dos entes queridos experimente uma aflição razoável, derramando lágrimas resignadas sobre a nossa condição mortal, depressa reprimidas pelo consolador pensamento de fé, a qual me diz que os fiéis, ao morrerem, somente se afastam um pouco de nós para irem a um lugar melhor. Não consintais que eu me entristeça como os gentios que não têm esperança. Poderei de fato experimentar tristeza, mas quando estiver aflito, que a esperança me conforte. Com uma esperança tão grande, não fica bem, Senhor, que o Vosso templo esteja de luto. Aí morais Vós, que sois o consolador, aí morais Vós, que não faltais às Vossas promessas. 
  Fazei, Senhor, que durante minha vida, sofra sempre com paciência, pratique a caridade, seja manso e humilde, desapegado do mundo e da carne; e quando Vós me chamardes, pela Vossa misericórdia, me alegrarei em encontrar junto de Vós os meus entes queridos que aí já estão. Amém! 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

OREMOS após a Ladainha de Todos os Santos




"Vi uma grande multidão, que ninguém poderia
contar, de todas as nações, tribos, povos e
línguas, que estavam em pé diante do trono e
em presença do Cordeiro, cingidos de vestes
brancas e com palmas em suas mãos; e
clamavam com voz forte, dizendo:
Saudação ao nosso Deus, que está sentado
sobre o trono, e ao Cordeiro". (Apoc. VII, 9).
   Ó Deus, a quem sempre é próprio o compadecer e perdoar, recebei a nossa humilde súplica; e fazei, por benefício de Vossa clementíssima piedade, que, assim como os Vossos outros servos, sejamos inteiramente soltos da vergonhosa cadeia de nossos delitos.
   Ouvi, Senhor, os humildes rogos e perdoai todos os pecados dos que fielmente se confessam, para que, ao mesmo tempo, recebamos da Vossa bondade, com o benigno perdão de todas as nossas culpas, a estimável graça de uma completa paz.
   Senhor, ostentai sobre nós a Vossa inefável misericórdia, de modo que, absolvendo-nos de todos os nossos pecados, nos livreis igualmente das gravíssimas penas que por eles havemos merecido.
   Ó Deus, a quem a culpa ofende e a penitência aplaca, recebei propício as humildes súplicas do Vosso povo e apartai de nós os flagelos de Vossa ira, que merecemos pelas nossas culpas.
   Eterno e Onipotente Deus, tende piedade de Vosso servo, o nosso santo Padre, e o conduzi, segundo a Vossa clemência, pelo caminho da salvação eterna, para que, mediante a Vossa graça, execute sempre, com todo o esforço, o que for mais do Vosso agrado.
   Ó Deus, de quem dependem os santos desejos, retos conselhos e virtuosas obras, concedei a Vossos servos aquela paz que o mundo não pode dar, para que, aplicados os nossos corações à observância dos Vossos preceitos, e desterrado o temor dos nossos inimigos, gozemos, com a Vossa proteção em nossos dias, uma feliz tranqüilidade.
   Senhor, abrasai os nossos rins e o nosso coração com o fogo do Espírito Santo, para que a Vós em casto corpo sirvamos e com puro coração Vos agrademos.
   Ó Deus, Criador e Redentor de todos os fiéis, concedei às almas de Vossos servos e servas a benigna remissão de todos os seus pecados, para que alcancem pelas pias súplicas da Vossa Igreja a indulgência a que sempre aspiram.
   Senhor, Vos suplicamos que Vos antecipeis a promover e ajudar as nossas obras, para que as nossas ações e operações sempre por Vós tenham princípio e se completem.
   Eterno e Onipotente Deus, que sois supremo Senhor dos vivos e dos mortos, e que usais de misericórdia para com todos aqueles que, pela sua fé e boas obras, antecipadamente conheceis que serão do glorioso número dos Vossos fiéis predestinados, nós Vos suplicamos que os mesmos por quem Vos pedimos (ou estejam ainda em carne mortal neste mundo, ou - despidos já dos seus corpos - hajam passado para a outra vida), alcancem da Vossa pia clemência, pela intercessão de todos os Vossos Santos, o benigno perdão de todos os seus pecados. Por Jesus Cristo, Vosso Filho e Senhor nosso, que convosco vive e reina, em unidade de Deus Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.