segunda-feira, 31 de outubro de 2016

DUODÉCIMO ARTIGO DO CREDO

   O último artigo do Credo ensina-nos que depois da vida presente há outra, ou eternamente feliz para os eleitos no Céu, ou eternamente infeliz para os condenados no inferno. Deus é nosso Juiz e Remunerador. Por isso, dará o céu aos bons e o inferno aos maus.

    Este quadro representa o duodécimo (último) artigo do Credo que é: ... na vida eterna. Amém. Este quadro nº 16 representa o céu. O quadro seguinte, isto é, o nº 17 vai representar o inferno.

   
   No centro do quadro, vemos as três Pessoas divinas num triângulo sobre um trono de glória, cercado de anjos. Vários dentre eles tocam diversos instrumentos musicais, outros agitam turíbulos diante das três Pessoas divinas. A Santíssima Virgem,  sua rainha, está à sua frente, à direita de Jesus Cristo seu Filho e sobre um trono inferior ao trono de Deus, mas superior a tudo o que não é Deus.

   Numa segunda fileira circular: á direita, vemos São João Batista, Moisés, Davi, Abraão e outros santos do Antigo Testamento; à esquerda, vemos São José, São Pedro com os outros Apóstolos, um Evangelista com um livro; vemos ainda vários outros santos do Novo Testamento.

   Numa terceira fila, vemos representados outros santos, entre os quais  estão os mártires, como Santo Estêvão, Santos Pontífices, um santo rei, santas virgens mártires, como Santa Cecília e Santa Catarina, e santas mulheres como santa Maria Madalena. Santo Estêvão,  o primeiro mártir da Igreja, traz uma pedra na mão, porque foi martirizado à golpes de pedras. Santa Cecília tem uma harpa, porque ela cantava os louvores de Deus ao som dos instrumentos musicais; por isso ela é a padroeira da música. Aos pés de Santa Catarina,  mártir, vemos uma roda com lâminas cortantes, porque este foi o instrumento de seu martírio. Santa Maria Madalena tem um vaso na mão porque ela derramou um dia sobre a cabeça de Jesus, um vaso cheio de precioso perfume.

    Vemos representada também uma santa com o hábito carmelita.

    Vemos  ainda uma santa Virgem e Mártir; por isso traz o lírio, símbolo da virgindade; e a espada, símbolo do seu martírio.

    Na última fila à direita, vemos uma soldado, talvez para representar santo Expedito.

ARTIGO DUODÉCIMO DO CREDO (2ª parte)



  O quadro anterior, ou seja, o nº 16 representou a vida eterna feliz que é o Céu. Este quadro nº 17 representa a vida eterna infeliz que é o Inferno.


   No alto do quadro, vemos sete aberturas do inferno, que são marcadas pelas primeiras letras dos sete vícios capitais. O O indica o orgulho. O A indica a avareza. O L a luxúria, o E a inveja (envie em francês), o G a gula, o C a cólera ou ira, o P a preguiça. Pretende-se mostrar com isso que são sobretudo os pecados capitais que levam as almas para o inferno.

   Por cima de cada uma destas letras, um animal simboliza o pecado que ele representa. Vemos da esquerda para a direita: um leão que simboliza a ira; um porco que simboliza a gula; um sapo sempre preso à terra, simboliza a avareza; um bode que simboliza a luxúria; uma serpente que simboliza a inveja; uma tartaruga que simboliza a preguiça.

   Além do fogo que é um sofrimento comum a todos os condenados, cada um, no entanto, sofre penas particulares apropriadas aos pecados que cometeu.

   No centro do quadro vemos os orgulhosos sendo arrastados aos pés de Lúcifer e forçados a dobrar os joelhos diante dele. São assim tratados porque, durante suas vidas, não quiseram se humilhar diante de Deus.

   Sob a letra A, vemos os avarentos trazendo uma sacola suspensa ao pescoço. Esta sacola lembra-lhes o quanto eles foram insensatos em preferir os bens perecíveis da terra aos bens eternos do céu.

   Sob a letra L, vemos os impudicos atormentados cruelmente pelos demônios e animais ferozes. Não se quer dizer com isto que haja animais no inferno mas é para simbolizar a raiva com que os demônios atormentam os impuros.

   Sob a letra E, vemos os invejosos enlaçados e mordidos por monstruosos répteis.

   Sob a letra G, vemos os gulosos e os bêbados sendo devorados por fome e sede cruéis e alimentados com fel de dragão e veneno de áspide. Isto tudo simboliza o remorso terrível e eterno por terem feito do estômago o seu deus.

   Sob a letra C, vemos os coléricos e os vingativos dilacerando-se mutuamente e arrancando os cabelos.

   Sob a letra P, vemos os preguiçosos sendo mordidos por tartarugas, picados com objetos inflamados, e deitados em braseiros.

   Os transgressores dos dez mandamentos de Deus e os profanadores dos sete sacramentos são pisoteados por uma besta que tem sete cabeças e dez chifres.

   Em baixo do quadro, à esquerda, vemos centauros (= monstros metade homem metade cavalo) pisando aos pés os heresiarcas que combateram a Religião com os seus maus escritos.

   No centro do quadro, vemos representado Lúcifer e por cima dele vemos um relógio cujo ponteiro marca sempre a mesma hora, e esta hora é a eternidade. Isto é para mostrar que as penas dos condenados duram sempre (toujours), e que, uma vez caído no inferno, de lá não se sairá jamais.
  

sábado, 29 de outubro de 2016

UNDÉCIMO ARTIGO DO CREDO

  


O undécimo artigo do credo é: ... na ressurreição da carne. Este quadro representa a ressurreição dos mortos que vai acontecer no fim do mundo.

    Vemos os anjos soando as trombetas para chamar todos os homens ao julgamento; os túmulos se abrem, os mortos ressuscitam e saem do pó. Entre eles vemos um rei que conserva sua coroa, e um bispo que reencontra ao ressuscitar, seus paramentos pontificais.

    No alto do quadro, aparece a Cruz nos ares, toda resplandecente de luz e cercada de espíritos angélicos. Sua vista consola os bons, que estendem para ela os braços com confiança. Para os maus, porém, a Cruz é motivo de remorso e de pavor; e eles procuram se esconder e pedem que as montanhas caiam sobre eles.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

DÉCIMO ARTIGO DO CREDO




   Este quadro representa o décimo artigo do Credo que é: ... na remissão dos pecados.

   O catecismo de São Pio X diz: "Os que na Igreja exercem o poder de perdoar os pecados são, em primeiro lugar, o Papa que é o único que possui a plenitude de tal poder; depois os Bispos e, sob a dependência dos Bispos, os Sacerdotes".

   A instituição do sacramento da confissão está em São João XX,21-23. Jesus disse aos seus discípulos: "Assim como meu Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos".

   O quadro acima representa Nosso Senhor Jesus Cristo entregando as chaves a São Pedro, em sinal do poder que lhe conferia de perdoar ou remeter os pecados.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O NONO ARTIGO DO CREDO (1ª parte)

Quadro nº 12 - O nono artigo do Credo

   O nono artigo do Credo é: ... na Santa Igreja Católica; na comunhão dos Santos.
   Este quadro nº 12 representa a 1ª parte: ... na Santa Igreja Católica. 

O quadro seguinte, ou seja, o nº 13 vai representar a 2ª parte, ou seja: na comunhão dos Santos.

   No alto deste quadro vemos representado Jesus constituindo São Pedro como chefe visível da Igreja. Entregando-lhe o cajado de pastor, dá-lhe a missão de apascentar seus cordeiros e suas ovelhas, isto é, de governar os pastores e os fiéis de que se compõe a Igreja, que é chamada por Jesus, de Seu rebanho.

   Em baixo neste quadro, vemos representados: 1º- O papa, sucessor de São Pedro, revestido de hábitos brancos, e trazendo sobre a cabeça a tiara, isto é, uma triplice coroa como era tradição até Paulo VI; 2º - aos dois lados do papa, os cardeais, cujas vestes são vermelhas e estão com os chapéus próprios, por isso chamados chapéus cardinalícios; 3º - na frente do papa, um arcebispo com um ornamento de lã branca passado sobre os ombros e que se chama pállium; 4º - um bispo com sua mitra e com seu báculo; muitos prelados, religiosos e religiosas; 5º - mais alto, à direita, um padre que dá a comunhão, outro que prega o Evangelho aos fiéis e um missionário que, com o crucifixo na mão, anuncia Jesus Cristo aos pagãos.
  

NONO ARTIGO DO CREDO (2ª parte)







   Este quadro representa a 2ª parte do nono artigo do Credo que é: ... na comunhão dos Santos.

   Na parte superior do quadro, vemos representada a assembléia dos anjos e dos santos que estão no céu. No centro, vemos os fiéis da terra. 

Na parte inferior do quadro, vemos as almas do purgatório. São as três etapas da Igreja: a Igreja triunfante no céu, a Igreja militante na terra e a Igreja padecente no purgatório. Há uma comunhão entre elas: é a Comunhão dos Santos.

   No alto do quadro, vemos representados os anjos e os santos que adoram as três Pessoas da Santíssima Trindade, e oram pelos fiéis que vivem ainda sobre a terra.

   No meio do quadro, os fiéis da terra assistem o Santo Sacrifício da Missa, no qual invocam os santos do céu, oram uns pelos outros, e imploram o alívio para as almas do purgatório.

   A parte inferior do quadro, representa as almas do purgatório. As águas refrescantes que os dois anjos derramam sobre elas, simbolizam o alívio que lhes proporciona o Santo Sacrifício da Missa.
  

sábado, 22 de outubro de 2016

OITAVO ARTIGO DO CREDO





   Este quadro representa o oitavo artigo do Credo que é: Creio no Espírito Santo.

   Vemos representado o Cenáculo, onde os apóstolos aguardaram a vinda do Divino Espírito Santo unânimes em oração juntamente com a Virgem Santíssima, alguns discípulos e algumas santas mulheres. Ficaram todos aí recolhidos e em oração durante dez dias. Aconteceu que, quando se completaram os dez dias, estando todos juntos no mesmo lugar, de repente, veio do céu um estrondo, como de vento que soprava impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam em oração. Vemos o Espírito Santo em forma de uma pomba toda iluminada de raios, e vemos  umas como línguas de fogo repartidas e pousadas sobre cada um deles. Neste momento ficaram todos eles cheios do Espírito Santo.
  

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

SÉTIMO ARTIGO DO CREDO

 Este quadro representa o sétimo artigo do Credo que é: ...de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.


 

 Vemos aqui representada a cena do juízo final que se dará no fim do mundo.

   Jesus Cristo está sentado sobre as nuvens, cercado dos anjos e dos santos. Bem juntos de Jesus vemos representados os apóstolos, porque eles, juntamente com Nosso Senhor Jesus Cristo, julgarão as doze tribos de Israel.

   Jesus Cristo é precedido de Sua Cruz e de quatro anjos soando as trombetas para chamar todos os homens ao julgamento.

   A Santíssima Virgem é colocada à direita de Jesus e à frente dos eleitos, aos quais Nosso Senhor Jesus Cristo dirige estas consoladoras palavras: "Vinde benditos de meu Pai; possuir o reino que vos foi preparado desde a criação do mundo".

   O anjo vingador está à esquerda de Jesus, expulsando para o inferno os réprobos, depois que o Soberano Juiz fê-los ouvir a sentença terrível: "Afastai-vos de mim, malditos, ide para o fogo eterno, preparado para o demônio e seus seguidores".

   Vemos, em baixo à esquerda do quadro e consequentemente à direita de Jesus, os vivos, isto é,  os eleitos, subindo para o céu com vestes brancas.

À direita do quadro, e consequentemente à esquerda de Jesus, vemos os mortos ( espiritualmente), isto é, os condenados, em formas horríveis, descendo para o inferno.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

SEXTO ARTIGO DO CREDO (1ª parte)

  O sexto artigo do Credo é: Subiu ao Céu, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso.



   Este quadro nº 8 representa a primeira parte, ou seja, a Ascensão de Jesus. Subiu ao Céu...

   O quadro nº 9 vai representar a outra parte, ou seja: ...está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso.

   Este quadro representa a Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo no monte das Oliveiras. Esta montanha tem três cimos e é do cimo do meio que Nosso Senhor subiu aos céus, em presença dos seus discípulos e das santas mulheres, deixando, diz-se, na rocha a impressão do Seu pé esquerdo. Tive a graça de ver e oscular esta marca do pé de Jesus, marca esta que já está quase apagada de tanto o povo beijá-la e tocá-la durante quase dois mil anos.

   No momento que Jesus desapareceu numa nuvem luminosa aos olhos de seus discípulos, dois anjos se apresentaram junto deles. Os anjos disseram-lhes: Homens da Galileia, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus que, separando-se de vós, foi arrebatado ao céu, virá do mesmo modo que o vistes ir para o céu. 

SEXTO ARTIGO DO CREDO (2ª parte)



   O sexto artigo do Credo é: Subiu ao Céu, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso.

   O quadro anterior, ou seja, o nº 8 representou: Subiu ao Céu, isto é, a Ascensão de Jesus.

 Este quadro nº 9 representa: ...está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso.

     Este quadro representa Jesus Cristo no Céu sentado à direita  de Seu Pai sobre um trono de glória; os anjos e os santos rodeiam-no, e Seu trono é levado por uma multidão de espíritos celestes. O Pai tem um cetro; o Filho segura Sua Cruz, ambos seguram o mundo, criado pelo Pai, redimido pelo Filho e santificado pelo Espírito Santo.  Vemos, também, o Espírito Santo representado na figura de uma pomba cercada de luz.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

QUINTO ARTIGO DO CREDO (2ª parte)



   O quinto artigo do Credo é: Desceu aos infernos, ao terceiro dia ressurgiu dos mortos. O quadro nº 6 representou: Desceu aos infernos.

Este quadro nº 7 representa a Ressurreição de Jesus: ... ao terceiro dia ressurgiu dos mortos.

   À esquerda, perto do anjo vemos algumas santas mulheres que vieram, diz o Evangelho, embalsamar o corpo de Jesus. E eis que se deu um grande terremoto. Porque um anjo do Senhor desceu do céu, e, aproximando-se, revolveu a pedra e sentou sobre ela. A sua veste  era branca como a neve. Os guardas sentiram grande terror e ficaram como mortos.

   As mulheres também tiveram medo; mas o anjo, tomando a palavra, disse-lhes: Vós não temais, porque sei que procurais a Jesus, que foi crucificado; Ele já aqui não está; ressuscitou como tinha dito. Vinde e vede o lugar onde o Senhor esteve depositado.












terça-feira, 18 de outubro de 2016

QUINTO ARTIGO DO CREDO (1ª parte).




   O quinto artigo do Credo é: Desceu aos infernos, ao terceiro dia ressurgiu dos mortos.

   Este quadro representa a primeira parte, ou seja: Desceu aos infernos. O quadro nº 7 vai representar a outra parte: ...ao terceiro dia ressurgiu dos mortos.

   No catecismo às crianças devemos observar em primeiro lugar que foi a alma de Jesus que desceu aos "infernos" ou seja, ao Limbo dos Justos, dos quais, por sua vez,  estavam lá só suas almas. Mas como as almas são espirituais, não as podemos ver. Então representamos seus corpos.

   E assim, este quadro representa a alma de Jesus Cristo aparecendo às almas cativas no Limbo dos Justos.
Em primeiro plano vemos Adão e Eva de joelhos; vemos à esquerda, Abraão com a faca na mão, tendo de joelhos ao seu lado, seu filho Isaac. À direita vemos Moisés com as tábuas dos dez mandamentos.

   Em baixo do quadro, vemos o inferno onde estão os condenados e os demônios. Jesus Cristo não desceu a este lugar de sofrimentos nem ao purgatório, mas fez sentir sua ação sobre os condenados fazendo-os ver o que eles por própria culpa perderam; e mostrou-se às almas do purgatório  dando-lhes a esperança da glória.

   "Infernos" (no plural) é a mesma coisa que "lugares inferiores da terra". Em hebraico é "sheol"; em grego é "Hades". São Paulo fala claramente da descida da alma de Jesus aos "infernos" ou seja, ao lugares inferiores da terra. Na Epístola aos Efésios c. 4, 8 e 9: "Tendo subido ao alto, levou cativo o cativeiro..." Ora, que significa subiu, senão que também antes tinha descido aos lugares inferiores da terra? Aquele que desceu (Jesus), é aquele mesmo que também subiu acima de todos os céus para cumprir todas as coisas". Jesus, portanto, fez resplandecer sua entrada triunfal nos céus no dia da Ascensão com a companhia dos justos que conduziu dos lugares inferiores da terra, ou seja, "dos infernos" ou em hebraico, do "sheol" ou também do tradicionalmente chamado "Limbo dos Justos". No "Limbo dos Justos," além daqueles que o quadro acima mostra claramente, podemos incluir, por exemplo, Noé, Jacó, muitas santas mulheres, os patriarcas, os profetas, São José, numa palavra: todos os que tinham sido fiéis à lei, pondo no Messias prometido toda a esperança. Eram almas santas; o céu, todavia, estava vedado aos homens desde o pecado de Adão, e só Nosso Senhor Jesus Cristo havia de no-lo franquear, entrando nele, primeiro.

   A chegada do Salvador àquele lugar de expectativa, trouxe à todas as almas justas júbilo imenso, pois era o anúncio e o penhor da sua libertação próxima. Não é, contudo, neste dia que elas entraram no céu; ali Jesus Cristo as levaria somente no dia da Ascensão. A partir da Ascensão o Limbo dos Justos ficou vazio. Pois, todos os justos que ali estavam foram para o céu. A partir daí, as almas quando saem dos corpos (ou seja, quando se dá a morte), se estiverem inteiramente santas, vão direitas para o céu; se estiverem na graça de Deus, mas ainda manchadas com pecado venial ou pena temporal, então, vão para o purgatório, até se purificarem inteiramente e, só então, vão para o céu; se a alma estiver com pecado mortal, vai para o inferno eterno.
    

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

ARTIGO 4º DO CREDO



  O quarto artigo do Credo é: Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.

   Vemos no alto deste quadro Pilatos sentado em seu tribunal; à esquerda, vemos representada a flagelação de Jesus; à direita, vemos Jesus pregado na cruz. 

Em baixo, vemos Jesus crucificado entre dois ladrões. Sua sepultura é representada em baixo deste quadro, no ângulo direito.

sábado, 15 de outubro de 2016

Santa Teresa d'Ávila: Alguns pensamentos de fé e confiança em Deus

Teresa de Ahumada e Cepeda nasceu em Ávila, Espanha
em 1715 e morreu em Alba de Tormes em 1582.  Entrou
para o Carmelo da Encarnação em Ávila no ano de 1536;
tomou o nome de Irmã Teresa de Jesus.
Em 1563 sai definitivamente do Carmelo da Encarnação
e passa a residir no Carmelo de São José, por ela fundado
para  aí seguir a Regra Primitiva do Carmelo. Juntamente
com São João da Cruz ela é a reformadora do Carmelo. 
     "Ó Senhor, bem longe de me espantar diante das Vossas obras, elas são para mim mais um motivo para Vos louvar. Quanto mais estas obras são dificultosas de entender, mais devoção me inspiram e tanto mais quanto mais dificultosas são... Assim, quanto mais as verdades da fé ultrapassam a ordem natural tanto mais firmemente creio nelas e me dão maior devoção. Todas, todas as grandezas que Vós fizerdes ficam explicadas para mim por serdes todo-poderoso; neste ponto jamais tive dúvidas".

     "Ó grande Deus, como é fraca a nossa fé!... Porque segundo a nossa maneira de ser, se não nos dão o que queremos - com este livre arbítrio que temos - não admitiremos o que Vós nos dais, ainda que seja melhor... Não, meu Deus, não; não quero ter mais confiança em coisa que eu possa querer para mim! Escolhei Vós para mim o que quiserdes, que isso quero eu, pois todo o meu bem está em Vos contentar. E se Vós, Deus meu, me quisésseis contentar a mim, cumprindo tudo o que pede o meu desejo, vejo que iria perdida".

     "Ó Senhor e Deus meu, em nós está tão morta a fé que acreditamos mais no que vemos do que no que ela nos diz; e na verdade não vemos senão desventuras naqueles que vão atrás destas coisas sensíveis!...Se aparecem grandes dificuldades, que não fará o demônio para nos acobardar? Pelo menos, enfraquece a fé e leva-nos a não acreditar que Vós sois poderoso para fazer obras superiores ao nosso entendimento; é um grande dano!
     "Bendito sejais, meu Deus! Confesso o Vosso grande poder. Sim, bem sei que sois poderoso e que há de impossível a quem tudo pode? Embora miserável, creio firmemente que podeis o que quereis e quantas maiores maravilhas ouço dizer de Vós, e considero que podeis fazer ainda maiores, mais se fortifica a minha fé e com maior determinação creio que o fareis. E por que admirar-nos do que faz o Todo-Poderoso?"

     "Senhor meu, como sois um amigo verdadeiro e poderoso que podeis quanto quereis e nunca deixais de amar a quem Vos ama! Louvem-Vos todas as criaturas, Senhor do mundo! Quem desse vozes para dizer quão fiel sois a Vossos amigos! Todas as coisas faltam, Vós, Senhor de todas elas, nunca faltais. Pouco é o que deixais padecer a quem Vos ama. Que delicada, doce e saborosamente os sabeis tratar! Oh! Quem nunca se tivesse detido a amar ninguém senão a Vós! Parece, Senhor, que se provais com rigor a quem Vos ama é para que, no extremo do trabalho se entenda o maior extremo do Vosso amor. Deus meu, quem tivesse entendimento e letras e novas palavras para encarecer Vossas obras como as entende a minha alma! Falte-me tudo, Senhor meu, mas se Vós não me desamparais, eu não Vos faltarei a Vós! Levantem-se contra mim todos os letrados, persigam-me todas as coisas criadas, atormentem-me os demônios, não me falteis Vós, Senhor, que eu já tenho experiência do lucro com que deixais a quem só em Vós confia!"

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

ARTIGOS 2º E 3º DO CREDO


    O segundo artigo do Credo é: "E em Jesus Cristo, um só Seu Filho, Nosso Senhor.
   Na parte superior e central do quadro está representada a Transfiguração de Jesus, na qual Deus Pai proclamou Jesus Cristo seu Filho.
   Jesus Cristo tendo levado consigo sobre o Monte Tabor três de seus discípulos, Pedro, Tiago e João, de repente, transfigurou-se diante deles. Seu rosto tornou-se brilhante como o sol e suas vestes brancas como a neve. Vemos aí Moisés e Elias que conversam com Jesus à vista de seus discípulos. Do meio da nuvem luminosa que os cobre uma voz fez-se ouvir com estas palavras: "Este é meu Filho dileto em quem pus toda a minha complacência




; ouvi-o". A esta voz, os apóstolos que haviam acompanhado a Nosso Senhor tiveram grande medo e caíram de bruços. No meio deles São Pedro diz: "Senhor, bom é nós  estarmos aqui; se quiserdes faremos aqui três tendas: uma para Vós, uma para Moisés e uma para Elias".
  Ainda na parte superior do quadro à esquerda, vemos uma espécie de medalha na qual está representado o Pai Eterno enviando Seu Filho à terra no momento em que o Divino Espírito Santo também vai operar o grande mistério da Encarnação, como vamos explicar a figura logo abaixo, na parte inferior e à esquerda do quadro. Aí estão representados os mistérios da Anunciação e da Encarnação do Filho de Deus
   Temos aqui o 3º artigo do Credo: "...o qual foi concebido do Espírito Santo, (sua 1ª parte),
Vemos representado aí o Arcanjo São Gabriel saudando a  Santíssima Virgem Maria em oração em sua casa de Nazaré, e anunciando-lhe que Deus a escolheu para ser a Mãe do Salvador. No mesmo instante, o Divino Espírito Santo opera nela, por um grande milagre, o mistério da Encarnação.
   À direita do quadro, temos representada a 2ª parte do 3º artigo do Credo: ..."nasceu de Maria Virgem",
   Na parte superior do quadro, vemos numa espécie de medalha, representada uma profecia de Isaías sobre  Nosso Senhor Jesus Cristo (Isaías, XI, 1). "Sairá uma vara do tronco de Jessé (=Isaí, pai de David), e uma flor brotará da sua raiz". Podemos dizer que esta profecia se refere também à Santíssima Virgem Maria porque ela é  descendente da família real de Davi; e sobretudo, porque dela é que nasceu Jesus. Vemos na figura um homem deitado(este homem é Jessé). Do seu peito como que nasce uma árvore(é a família de Davi); por isso vemos a figura de Davi nos galhos da árvore. A árvore não tem muitas folhas, para significar que a estirpe real de Davi estava então quase destruída e apagada. Mas do tronco(cujas raízes estão fixadas no pai de Davi) sai um rebento que, uma vez crescido, termina numa flor sobre a qual está a Santíssima Virgem Maria como rainha, trazendo no colo o Menino Jesus, que, por sua vez, ampara o globo terrestre porque Ele é o Rei dos reis, o Salvador do mundo. 

Na parte inferior do quadro,  vemos  representado o nascimento do Menino Jesus. Nasceu de Maria Virgem. O Menino Jesus nasce num estábulo em Belém. É cercado de todos os cuidados de Sua Mãe e de Seu pai de criação, São José. Perto da manjedoura onde repousa o Menino Jesus vemos um boi e um jumento que, segundo a tradição, se encontravam neste lugar.
   Os pastores dos rebanhos vêm adorá-lo e os anjos cantam o hino de alegria: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade".
  
  

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

ARTIGO 1º DO CREDO


 Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra;


 
   Este quadro representa a 1ª parte: Creio em Deus Pai Todo-Poderoso. Representa a Santíssima Trindade. O quadro nº 3 vai representar a 2ª parte: Criador do céu e da terra.
   No centro deste quadro a Santíssima Trindade é representada por um grande triângulo no qual se vê Deus Pai sobre o globo do mundo, sustentando os braços da cruz na qual Jesus Cristo, Seu Filho, está pregado. O Espírito Santo, sob o forma de uma pomba, resplandece entre o Pai e o Filho, para nos fazer entender que Ele procede do Pai e do Filho.
   No alto do quadro à esquerda, vemos Jesus Cristo dando a seus apóstolos, antes de subir aos céus, a missão de ensinar a todos os povos e de os batizar em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. 
   À direita do quadro, vemos o batismo de Jesus Cristo, no qual as três Pessoas da Santíssima Trindade são manifestadas. (Veremos no quadro 19).
   Em baixo no quadro à esquerda, vemos Abraão recebendo a visita de três anjos. Abraão vê três, e no entanto ele saúda um só: "Senhor, diz ele, se encontrei graça diante de vossos olhos, não passeis adiante da casa de vosso servo". Falando assim, Abraão honrava nos três anjos um só Deus em três pessoas.
   À direita do quadro vemos Santo Agostinho e um menino. Um dia Santo Agostinho caminhava às margens do mar, procurando aprofundar  o mistério da Santíssima Trindade. De repente, apareceu um  menino, que apanhava a água do mar com uma conchinha e entornava-a num pequeno buraco feito na areia da praia.
    - Meu querido menino, que pretendes fazer com esta água?
    - Eu quero, disse o menino, colocar toda água do mar neste buraco.
    - Mas, olha bem que este buraco é muito pequeno para conter tanta água.
   - E o menino  respondeu: É muito mais fácil eu colocar toda a água do mar neste buraco do que o Sr. compreender o mistério da Santíssima Trindade. Dito isto o menino desapareceu. Era um anjo que tomara o forma de um menino para fazer Santo Agostinho entender que o mistério da Santíssima Trindade é impenetrável a toda inteligência criada.
  

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

CATECISMO EM IMAGENS - COM EXPLICAÇÃO DO QUADRO

O catecismo é uma instrução bem familiar por meio de perguntas e respostas sobre a doutrina cristã. Estude o catecismo neste blog "ZELO ZELATUS SUM". O Primeiro Catecismo foi explicado no blog: "VIA-VERITAS-VITA".



      Antes de ensinar Sua doutrina, Nosso Senhor Jesus Cristo quis ensinar às crianças, pelo Seu exemplo, como elas devem assistir ao catecismo. Aos doze anos de idade, Jesus foi à Jerusalém com Maria Santíssima e São José para celebrar a festa da Páscoa. Vemos neste quadro, no alto à esquerda, no Templo, o Menino Jesus assentado entre os doutores da lei, escutando-os e interrogando-os. O Evangelho diz-nos que os doutores da lei estavam admirados por causa da sabedoria das respostas de Jesus.
   Chegado à idade dos trinta anos, Jesus Cristo começou a percorrer a Judeia para aí ensinar Sua doutrina. Ele pregava ora nas sinagogas, onde os judeus se reuniam  para rezar, ora sobre as montanhas, ora sobre a beira do mar. No alto deste quadro, à direita, vemos Jesus sentado numa barca no mar da Galileia. Em torno d'Ele estão Seus apóstolos, e, nas margens vemos os judeus de uma aldeia vizinha, atentos em escutar Seus ensinamentos.
   Depois da Ascensão de Jesus Cristo, Sua doutrina foi pregada pelos apóstolos, pelos bispos, pelos padres e pelos diáconos. Vemos, no meio deste quadro, o diácono Filipe sentado  numa carruagem ao lado de um oficial de Candace, Rainha da Etiópia. Este oficial lia, mas sem as compreender, as Sagradas Escrituras. Felipe explicou-lhe as passagens da Bíblia que profetizavam sobre Jesus, e o oficial se converteu e pediu o batismo dizendo:"Eu creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus".
   Em baixo no quadro, à esquerda, está representado o Papa ensinando a doutrina a todas classes da sociedade; à direita,  está representado um bispo pregando o Evangelho também aos bárbaros; e, no meio, ainda em baixo, vemos um padre dando catecismo às crianças.

domingo, 9 de outubro de 2016

O PECADO VENIAL


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

""Abstende-vos de toda aparência do mal" (Tessal. V, 22)


Há um erro popular, e não é só de hoje, que consiste em persuadir-se falsamente de que o pecado venial é coisa de somenos importância, como se a palavra venial significasse bagatela, coisa de nada. Talvez este erro venha da palavra "leve" também empregada para designar pecado venial. Na verdade, "leve" aqui é um termo relativo, assim, por exemplo, comparando, quando a gente diz que a Terra é pequena em relação ao Sol. É claro que em si mesma a Terra não é pequena. Assim, fazendo a aplicação, dizemos que o pecado venial é leve em comparação com o mortal, mas em si mesmo é o maior mal que existe sobre a terra depois do pecado mortal. Não é difícil entendermos, pois, se é pecado, ofende a Deus que é de uma dignidade, perfeição e majestade infinitas. Daí dizer São Jerônimo: "Não é falta leve desprezar a Deus nas coisas pequenas". É chamado venial (de venia em latim que significa perdão)porque significa coisa perdoável, ou, melhor dizendo "coisa mais facilmente perdoável", porque o pecado mortal também é perdoável. Mas não esqueçamos que para os pecados (mortais e veniais) poderem ser perdoados, Jesus Cristo sofreu o morreu numa Cruz.

Mas o que é pecado venial? Bom! se é pecado é porque tem os três elementos que constitui um pecado: transgressão da lei de Deus, advertência sobre esta transgressão e apesar disto há o consentimento da vontade. Quando se dá o pecado venial? Nestes casos: Quando a matéria da transgressão é de si mesma leve; ou é grave mas a advertência sobre esta malícia não é total e o consentimento da vontade não é pleno. É, portanto, qualquer pensamento, palavra, ação ou omissão contra a lei de Deus, mas que não  é tão grave, que nos faça perder a amizade do Senhor e dê a morte à alma. Acha-se neste gênero de faltas, tudo o que constitui o pecado: Deus que manda, o homem que recusa obedecer. A única diferença que há entre o pecado mortal e o venial, é o consentimento mais ou menos completo, matéria mais ou menos grave. Quanto ao mais, em um e outro há uma indigna preferência dada à vontade do homem sobre a de Deus; é uma ofensa de Deus; e feita por quem, e porque? Por uma vil criatura, por um desprezível motivo. Há portanto no pecado venial um verdadeiro desprezo de Deus, uma verdadeira injúria feita a todas as perfeições de Deus; injúria leve comparativamente com a que resulta do pecado mortal, mas de uma gravidade como que infinita, já que ofende a dignidade infinita de Deus.

Vamos dar alguns exemplos de pecados veniais: pequenas iras passageiras, ligeiras intemperança no  comer ou beber, falar mal dos outros em coisas que não causam graves danos a reputação do próximo, mentiras oficiosas, manifestações de amor próprio, distrações e curiosidades que me alheiam de mim mesmo e me perturbam o coração, negligências nos exercícios espirituais e religiosos, donde resultam tantas faltas contra o respeito devido ao Senhor. Se não vigiarmos, quantas faltas cometemos pelo mau humor, pela liberdade da língua etc.

Os teólogos e também autores espirituais fazem algumas suposições e comparações para se fazer compreender melhor o mal que é o pecado venial. Eis alguns exemplos: Seria um grande mal aquele que não pudesse ser reparado com todas as lágrimas do gênero humano, com os tormentos dos mártires, as austeridades dos anacoretas, os sofrimentos, a caridade de todos os Santos, e com todas as boas obras que se têm feito desde o princípio, e se farão até ao fim do mundo. E todavia, todas estas satisfações, se não se lhes ajuntassem as satisfações infinitas do Verbo encarnado, não bastariam para reparar a ofensa que faz a Deus um só pecado venial. Outro exemplo: a mentira quando não prejudica gravemente o próximo é sempre de si mesma um pecado venial. Pois bem! Se fosse para tirar todos os condenados do inferno ou evitar que fossem expulsos do Céu todos os Santos, não se poderia cometer tal mentira, que é um pecado venial. Será que haverá alguém ainda afirmando com tanta desenvoltura que o pecado venial é coisa de nada, e que se pode fazê-lo com a mesma facilidade com que se bebe um copo d'água? Se houver, por ventura algum pecador que ouse afirmá-lo, ouça também o que diz os santos dos quais citarei apenas alguns: Santa Catarina de Gênova: "Lançar-me-ia em um oceano de chamas, sendo preciso, para evitar a ocasião do menor pecado, e ali ficaria sempre, antes do que sair de lá por um pecado venial";  Santa Catarina de Sena: "Se a alma que é imortal, pudesse morrer, a vista de um só pecado venial, que manchasse a sua beleza, seria capaz de lhe dar a morte"; Santo Inácio de Loiola dizia: "Todo o homem que é zeloso da pureza da sua consciência, deve humilhar-se diante de Deus pelos pecados mais leves, considerando que aquele Senhor contra quem são cometidos, é infinito em todo o gênero de perfeições, o que lhes agrava infinitamente a malícia" ; Dizia Santo Tomás de Aquino: "Antes morrer que pecar venialmente". Eis mais um exemplo: "O Santo Cura d'Ars tinha recebido  uma cédula de mil francos, para as suas obras. Quando foi acender a vela, não tendo fósforo, tirou do bolso  um pedaço de papel e o chegou ao fogo. O padre coadjutor deu um grito: "Senhor Vigário, é uma nota de mil francos que queimais". "Antes isso, disse o Santo, que um pecado venial".


E, caríssimos, quem pode contar a multidão dos pecados veniais. Santo Agostinho dizia; "Se não temes os pecados veniais, quando pensas na sua gravidade, temei-os quando os contas". Milhares de pecados veniais somados não constitui um mortal, a não ser quanto àqueles mandamentos em que a matéria se soma, como é o caso do 7º mandamento (pode chegar a uma soma que já passe a constituir pecado mortal). Fora disto não. Mas se não se combate os pecados veniais e estes se tornam um hábito, a alma se torna tíbia e aí vai aos poucos escorregando para o abismo do pecado mortal. E uma circunstância que nos deve atemorizar: é mais difícil sair do pecado mortal, quando se chegou a ele aos poucos através de pecados veniais não combatidos. Os pecados veniais diminuem as luzes e as forças da alma. Num naufrágio pouco importa se ele acontece por uma furiosa tempestade ou pelo fato de a água entrar por um fenda gota a gota. Se muitos pecados veniais não constituem um mortal, é, no entanto, certo que dispõem para o mortal. Depois, se Deus quiser, falaremos sobre a tibieza, e, então explicaremos isto melhor. 

Ó meu Deus, eu pensaria como os Santos a respeito de tudo o que vos ofende, se vos conhecesse e vos amasse com eles! Meu Deus e Pai do Céu fazei de eu Vos ame sobre todas as coisas e aí odiarei o pecado seja mortal, seja venial. Amém!

sábado, 8 de outubro de 2016

TEMOR DE DEUS



"Não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; mas temei antes aquele que pode lançar na Geena a alma e o corpo" (S. Mateus X, 28 e cf. também S. Lucas XII, 4 e 5: "A vós, meus amigos,  vos digo:Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, e depois nada mais podem fazer; temei aquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno..."

Não pode haver ninguém mais amigo do que Jesus Cristo, que quis morrer para nos salvar. E quem avisa, amigo é. Como a amigos Jesus nos dá este aviso em Mateus X, 28 e Lucas XII, 4 e 5. Portam-se, porém, como inimigos aqueles que aconselham a atitude da avestruz perante o dogma do inferno: Deus é Pai, não temais, não existe o inferno. Isto é tapar os ouvidos a advertência paternal de Deus. Jesus Cristo manda que se tema o inferno, justamente para nele não vir a cair com a alma, e depois do Juízo Final, também com o corpo.  "O princípio da sabedoria é o temor do Senhor" (Eclesiástico I, 16). Os ninivitas agiram com sabedoria porque temeram os castigos de Deus, quando Jonas lhes foi anunciar a destruição da cidade. Se os primeiros homens temessem a Deus, que é Pai mas também Juiz, não teriam praticado excessos, que moveram o mesmo Deus a afogá-los no dilúvio! Se o temor de Deus tivesse entrado em Sodoma e Gomorra com as advertências de Lot, não teriam sido os seus habitantes reduzidos a um montão de cinzas! Devemos amar a Deus, que dá o céu a quem o merece; e temê-Lo, porque castiga com o inferno os pecadores que, depois de abusar da Misericórdia, desprezam a Justiça divina e não se convertem até ao último instante de vida.

 Existem duas espécies de temor: o temor de servo que teme a culpa  por medo do castigo que Deus pode infligir. Sobretudo teme o extremo e eterno castigo que é o inferno, onde, depois da ressurreição dos corpos no juízo final, os réprobos serão lançados não só com as almas mas também com os corpos. E só Jesus Cristo, Juiz Supremo tem este poder. Os homens só podem lançar o corpo na sepultura. Este temor reverencial embora, não seja perfeito, contudo é bom porque afugenta o pecado: "O temor do Senhor expulsa o pecado" (Eclesiástico I, 27). Mas há outra espécie de temor e este é o melhor porque não é um temor servil mas de filho. Não apenas é bom, mas é um temor santo como diz o Salmo XVIII, 9 e 10: "As justiças do Senhor são retas, alegram os corações, o preceito do Senhor é claro, esclarece os olhos. O temor do Senhor é santo, permanece pelos séculos dos séculos; os juízos do Senhor são verdadeiros, cheios de justiça em si mesmos". O temor filial consiste em temer o castigo também por medo da culpa. E à medida que cresce esse temor, aumenta outrossim o amor que nos une a Deus. Diz Santo Tomás de Aquino que os atos exteriores devem brotar da disposição interior. A humildade é a disposição interior para todas as virtudes. O temor de Deus, a reverência diante da Majestade infinita de Deus procedem da humildade interior mas que mui naturalmente se mostram também no exterior. Pela humildade a alma tem sempre Deus diante dos olhos, sem jamais o esquecer. Teme ofender um Pai que é todo Amor, um Supremo Senhor que é todo Justiça, pois,  premia um copo d'água dado a alguém por Seu amor, como castiga uma palavra ociosa. 

O próprio Nosso Senhor recomenda esse temor reverencial àqueles que se dignou chamar seus amigos: "Digo, porém, a vós, meus amigos..." (S. Lucas XII, 4).  Este temor do inferno, inclui também o amor a Deus, pois, o condenado, além de outros tormentos, sofre ainda mais pela "pena do dano", isto é, ter perdido para sempre o Supremo Bem, o Pai de Bondade. Embora entre assim o amor de Deus, o motivo principal, porém, é o medo do castigo. A alma começa com este temor, mas, é óbvio que, à medida que vai adiantando na vida espiritual, este temor bom mas menos digno, cede pouco a pouco o lugar ao amor, como móbil principal e depois habitual de ação. O Concílio de Trento, no entanto,  fala com muita insistência da incerteza em que estamos a respeito da perseverança final; a nossa vida é uma provação contínua na fé, e nunca devemos largar esta arma do temor de Deus. E mesmo não podemos abandonar nunca o temor do castigo porque o próprio Espírito Santo nos dá este aviso: "Em todas as vossas obras, meditai nos vossos novíssimos e não pecareis jamais" (Ecli. VII, 40). A morte, cuja hora é incerta, abre a porta para a eternidade; logo vem o juízo, e aí a alma já saberá qual será a sua sorte eterna; ou feliz eternamente no Céu, ou infeliz eternamente no inferno.  Afinal, é o próprio Jesus que inculca este temor reverencial de servo.

Caríssimos, e como não temer, se o próprio Divino Mestre nos exorta a isto?! Se um rei do alto de uma torre, sustentasse um criminoso pelos cabelos, de maneira que, abrindo apenas as mãos,  fizesse o inimigo se precipitar numa fossa repleta de serpentes venenosas, ou numa geena cheia de imundícies fumegantes, será que este criminoso teria a ousadia e temeridade de,  com um punhal,  ameaçar o ofendido? E o pecador está em verdade, suspenso por um fio que é a vida, e suspenso sobre um "poço de fogo" (Apoc. IX, 2). Deus tem poder de cortar este fio e lançar na geena, não só o corpo mas também a alma e isto para sempre: "Ide malditos para o fogo eterno preparado para os demônios e seus seguidores" (S. Mat. XXV, 41 ).

 Jó fala sobre si fazendo uma outra comparação: "Eu sempre temi a Deus como a ondas suspensas sobre mim, e nunca pude suportar o peso de sua majestade" (Jó, XXXI, 23) E acrescentamos: se o Espirito Santo diz que os santos devem temer o inferno, que dizer dos pecadores? E este deixariam de sê-lo se temessem o inferno.  O mesmo Deus elogiou a santidade de Jó. E o que ele diz de si, foi sob inspiração do mesmo Espírito Santo! Logo o temor não é contrário à santidade. O temor de Deus, mesmo o servil, é pábulo para a santidade. Uma característica da santidade é justamente o desapego universal de todas as coisas humanas. Então entendemos bem a comparação de Jó. Como os navegantes no perigo não pensam em banquetes, em glórias, em passatempos, em prazeres, em riquezas, mas só naquilo que importa, isto é, em salvar a vida, assim no nosso caso, os santos não pensam em outra coisa senão em salvar a sua alma, e assim salvar também o corpo, que Jesus vai ressuscitar brilhante como o sol.

Jó usa esta comparação, para dizer também que sempre se tinha voltado para Deus com aquela confiança intensa com a qual se recomenda quem vê as ondas e uma terrível tempestade, que o ameaçam. E como os navegantes, mesmo no meio de gritos de invocações, não deixam de fazer todo o indispensável para salvar-se a ponto de lançar tudo no mar caso seja necessário, assim fazem em nosso caso também os santos, e Jó com esta metáfora queria indicar que ele tinha também agido sempre assim: "O meu coração não me acusa nada em toda a minha vida" (Jó XXVII, 6).


Caríssimos, procuremos amar a Deus de verdade e veremos como o nosso Deus é digno de um temor tal que não possa haver maior. O TEMOR DO SENHOR É UMA GLÓRIA E UMA HONRA, É UMA ALEGRIA E COROA DA ALEGRIA" (Ecli. I, 11). Amém!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

O PERDÃO DE ASSIS - INDULGÊNCIA DA PORCIÚNCULA

   Uma das últimas e mais calorosas recomendações que S. Francisco fez aos seus frades foi a de que nunca e fosse por que motivo fosse, abandonassem a Porciúncula: "Se vos expulsarem por um lado, entrai pelo outro, porque "esta é casa de Deus e a porta do Céu".
   Seguiram os frades as recomendações do seráfico Patriarca e foi assim que, no decorrer dos séculos, vimos acorrer à Porciúncula uma onda contínua de devotos peregrinos, que aí foram pedir a Deus perdão para os seus pecados e misericórdia para os mortos queridos. Estes devotos experimentavam em Santa Maria dos Anjos o encanto das coisas celestes, um suave transporte por qualquer coisa que não é terrestre e sentiam na verdade que se encontravam, segundo à expressão seráfica, "na casa de Deus e junto à porta do Céu".
   A Porciúncula é uma capela gótica muito antiga, que se encontra situada no sopé do monte Subasio e que, segundo reza a tradição, foi construída por quatro eremitas recém-chegados da Terra Santa. Um quadro da Assunção de Nossa Senhora, cercada por grande multidão de anjos, deu à capela o nome de Santa Maria dos Anjos.
   Reza uma tradição popular que a mãe de S. Francisco, senhora Pica, antes de dar à luz o filho, ia rezar muitas vezes àquela capela meio desmoronada e que teve aí certeza de que daria à luz um filho que seria, um dia, o restaurador do pequeno santuário. De fato, após a sua conversão e depois das revelações do Crucifixo em S. Damião, S. Francisco restaurou a Porciúncula e fixou nela a sua morada.
   Foi na Porciúncula que S. Francisco teve a confirmação da sua vocação à vida religiosa e ao apostolado.
   Quando assistia à missa, rezada pelo pároco de S. Damião na igrejinha restaurada havia pouco, no dia 24 de Fevereiro de 1209, o Santo sentiu um baque misterioso ao ouvir uma passagem do Evangelho, que parecia dirigir-se a ele expressamente: "Ide e pregai: o reino de Deus aproxima-se. Sarai os enfermos, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, dai gratuitamente.
   Não leveis ouro, nem prata, nem outro dinheiro nos vossos bolsos, nem saco para a viagem, nem dois vestidos, nem sandálias, nem bastão, porque todo o operário é digno do seu alimento".
   Foi este passo do Evangelho que S. Francisco consideraria depois a sua Magna Carta e a dos seus frades, que determinou a sua dedicação ao apostolado na liberdade de toda coisa supérflua, que prende à terra os espíritos criados para o Céu. Foi a leitura deste passo que lhe fez compreender a sua missão de arauto de paz e de penitência.
   A Porciúncula teve as preferências de Francisco e com razão, pois tinha sido restaurada com as suas próprias mãos e fora nesta igrejinha que passara horas de extraordinária beleza, em união com Deus e em companhia da Virgem e dos Anjos e fora dentro destes muros sagrados que ouvira a voz de Deus que o chamava à religião e ao apostolado. Foi para a Porciúncula que Francisco pediu a Deus favores extraordinários.
   Numa noite silenciosa de julho do ano do Senhor de 1216, S. Francisco, ajoelhado na terra nua, estava absorvido na doçura profunda da oração. De repente, a igrejinha da Porciúncula, onde orava, foi inundada por uma luz vivíssima, semelhante a um grande raio de sol. No meio daquela quente luminosidade de ouro, apareceram a doce figura de Jesus Cristo e a imagem sorridente de Maria Santíssima, cercada de grande multidão de Anjos, perdidos entre a imensa auréola de esplendores. Sentados sobre um trono real, os dois Personagens celestes vinham visitar o seráfico Francisco e perguntar-lhe o que mais desejava para a salvação eterna das almas. Sem hesitar um momento, S. Francisco respondeu: "Pai nosso Santíssimo, embora eu seja um miserável pecador, peço-Te que a todos aqueles que, devidamente arrependidos, venham visitar esta igreja, lhes concedas um perdão amplo e geral, com remissão completa de todas as suas culpas.
   - Que pedes, frei Francisco - disse-lhe o Senhor - é grande, mas és digno de maiores coisas e por isso maiores coisas terás. Atendo, portanto, o teu pedido, com a condição de que peças, da minha parte, ao meu Vigário na Terra, a concessão de tal indulgência.
   Fácil é de imaginar-se  o empenho com que o Poverello procurou, dentro do mais breve espaço de tempo, ir à presença de Honório III, eleito recentemente para a Cátedra de São Pedro, a fim de conseguir dele a confirmação de tudo o que o Céu lhe concedera já.
   De fato, no dia seguinte muito cedo, São Francisco, acompanhado de frei Masseo, tomava o caminho de Perugia e apresentava-se ao Papa.
   S. Francisco conseguiu a graça desejada para a Porciúncula, que tanto amava. No dia 2 de Agosto desse mesmo ano, festa da sagração de Porciúncula e na presença dos  bispos de Assis, de Perugia, de Todi, de Spoleto, de Nocera, de Gubbio e de Foligno, o Santo promulgou pessoalmente a indulgência, comentando a graça concedida com uma frase que traduz bem os desejos ardentes do seu coração seráfico: "Quero mandar-vos a todos para o Paraíso".
   A partir de então e no dia intitulado do Perdão de Assis , multidões imensas corriam todos os anos a Santa Maria dos Anjos, a fim de pedirem a Deus perdão dos seus pecados e a fim de purificarem as almas como que num banho místico de perdão e daquela paz que só Deus pode dar.
   Eis as exortações de São Francisco de Assis:
   "Convertei-vos e que a vossa conversão dê os seus frutos: pois deveis saber que em breve ides morrer. Dai e recebereis. Perdoai e sereis perdoados. Se não perdoardes aos outros as suas faltas, também o Senhor não perdoará as vossas. Confessai todos os vossos pecados. Bem- aventurados aqueles que morrem no estado de conversão, porque esses irão para o reino dos Céus. Infelizes, ao contrário, os que não morrem neste estado; pois esses passarão a ser filhos do demônio para sempre e serão mandados para o fogo do inferno. Acautelai-vos e sede solícitos em evitar o mal e perseverar no bem, até ao último dia".
   São estas as exortações daquele que promulgava a indulgência da Porciúncula e que bradava: "Quero mandar-vos a todos para o Paraíso".
     Entendemos que "este é o verdadeiro Espírito de São Francisco de Assis".

OBSERVAÇÃO: A Santa Madre Igreja estendeu o "Perdão de Assis" à todo orbe com o nome de "Indulgência da Porciúncula". Consiste no seguinte: No dia 2 de agosto nas igrejas paroquiais, pode ser adquirida a Indulgência plenária da Porciúncula: a obra prescrita para lucrá-la é a piedosa visita à Igreja, onde se rezam o Pai-Nosso e o Credo, sendo necessárias ainda a confissão sacramental, a Santa Comunhão e a oração na intenção do Sumo Pontífice (1 Pai-Nosso e 1 Ave-Maria). Esta indulgência só pode ser lucrada uma vez; a visita à Igreja pode ser feita desde o meio-dia da véspera até à meia-noite que encerra o dia marcado. (Enchr. Indulg., Normas 18, 25-26, nº 65). 
   

MEDITAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS


S. Francisco fala aos pássaros (miniatura do sec.XIII)
   São Francisco de Assis, estando em retiro no monte Alverne fez uma seríssima meditação: "O céu aberto em cima de minha cabeça. O inferno aberto sob meus pés. E o cristão no meio! Assim estou no mundo, sob um Céu que me espera e cujo pensamento me conforta e estimula na luta". Quando a cruz pesar demais sobre nossos ombros doloridos, olhemos para o Céu. Certo dia ouvindo São Francisco de Assis o tanger de uma corda da lira celeste nas mãos de um anjo, entrou em êxtase e desfaleceu de tanta alegria. Sua pobre natureza se sentiu aniquilada, ante a estupenda maravilha de tão deliciosa melodia. Que não será, ó meu Deus, ouvir os cânticos eternos! Santo Inácio dizia: "Como me parece pequena e desprezível esta terra, quando olho para o Céu!" O céu aberto! Eia! Confiança! Todo sofrimento é pouco para tamanha felicidade!
   "O inferno aberto!" Meditemos um pouco. Pode-se comparar todo nosso martírio, toda a amargura da terra, a uma só das penas eternas? Então, por que não suportarmos hoje um castigo tão leve em reparação de nossos pecados, que, mil vezes, já mereceram a condenação eterna?
   "O cristão no meio!" ... para a luta, para a escolha livre do seu destino! Oh! como a vida é séria e cheia de responsabilidades! No meio, entre o Céu e terra, o cristão luta! Oh! saibamos sofrer e, com o pobrezinho de Assis, meditemos o que somos, onde estamos e o que nos espera na Eternidade!" Nosso Senhor Jesus Cristo disse: "No meio desta geração adúltera e pecadora, quem se envergonhar de mim e de minhas palavras, Eu também me envergonharei dele no dia do juízo". 

I FIORETTI de São Francisco de Assis - Capítulo VIII

Como a caminhar expôs São Francisco a frei Leão as coisas que constituem a perfeita alegria.

   "Vindo uma vez São Francisco de Perusa para Santa Maria dos Anjos com frei Leão, em tempo de inverno, e o grandíssimo frio fortemente os atormentasse, chamou frei Leão, o qual ia mais à frente, e disse assim: Irmão Leão, ainda que o frade menor desse na terra inteira grande exemplo de santidade e de boa edificação, escreve todavia, e nota diligentemente que nisso não está a perfeita alegria. E andando um pouco mais, chama pela segunda vez: Ó irmão Leão, ainda que o frade menor desse vista aos cegos, curasse os paralíticos, expulsasse os demônios, fizesse surdos ouvirem e andarem coxos, falarem mudos, mais ainda, ressuscitasse mortos de quatro dias, escreve que nisso não está a perfeita alegria. E andando um pouco São Francisco gritou com força: Ó irmão Leão, se o frade menor soubesse todas as línguas e todas as ciências e todas as coisas futuras, mas até mesmo os segredos das consciências e dos espíritos, escreve que não está nisso a perfeita alegria. Andando um pouco além, São Francisco chama com força: Ó irmão Leão, ovelhinha de Deus, ainda que o frade menor falasse com língua de anjo, e soubesse o curso das estrelas e as virtudes das ervas; e lhe fossem revelados todos os tesouros da terra e conhecesse as virtudes dos pássaros e dos peixes e de todos os animais e dos homens e das árvores e das pedras e das raízes e das águas, escreve que não está nisso a perfeita alegria. E caminhando um pouco São Francisco chamou em alta voz: Ó irmão Leão, ainda que o frade menor soubesse pregar tão bem que convertesse todos os infiéis a fé cristã, escreve que não está nisso a perfeita alegria. E durando este modo de falar pelo espaço de duas milhas, frei Leão, com grande admiração, perguntou-lhe e disse: Pai, peço-te, da parte de Deus, que me digas onde está a perfeita alegria. E São Francisco assim lhe respondeu: Quando chegarmos a Santa Maria dos Anjos, inteiramente molhados pela chuva e transidos de frio, cheios de lama e aflitos de fome, e batermos à porta do convento, e o porteiro chegar irritado e disser: Quem são vocês? E nós dissermos: Somos dois dos vossos irmãos, e ele disser: Não dizem a verdade; são dois vagabundos que andam enganando o mundo e roubando as esmolas dos pobres; fora daqui; e não nos abrir e deixar-nos estar ao tempo, à neve e à chuva com frio e fome até à noite: então, se suportarmos tal injúria e tal crueldade, tantos maus tratos, prazenteiramente, sem nos perturbarmos e sem murmurarmos contra ele e pensarmos humildemente e caritativamente que o porteiro verdadeiramente nos tinha reconhecido e que Deus o fêz falar contra nós: ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria. E se perseverarmos a bater, e ele sair furioso e como a importunos malandros nos expulsar com vilanias e bofetadas dizendo: Fora daqui ladrõezinhos vis, vão para o hospital, porque aqui ninguém lhes dará comida nem cama; se suportarmos isso pacientemente e com alegria e de bom coração, ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria. E se ainda, constrangidos pela fome e pelo frio e pela noite, batermos mais e chamarmos e pedirmos pelo amor de Deus com muitas lágrimas que nos abra a porta e nos deixe entrar, e se ele mais escandalizado disser: Vagabundos importunos, pagar-lhes-ei como merecem: e sair com um bastão nodoso e nos agarrar pelo capuz e nos atirar ao chão e nos arrastar pela neve e nos bater com o pau de nó em nó: e se nós suportarmos todas estas coisas pacientemente e com alegria, pensando nos sofrimentos de Cristo bendito, as quais devemos suportar por seu amor; ó irmão Leão, escreve que aí e nisso está a perfeita alegria, e ouve, pois, a conclusão, irmão Leão. Acima de todas as graças e de todos os dons do Espírito Santo, os quais Cristo concede aos amigos, será o de vencer-se a si mesmo, e voluntariamente pelo amor suportar trabalhos, injúrias, opróbrios e desprezos, porque de todos os outros dons de Deus não nos podemos gloriar por não serem nossos, mas de Deus, do que diz o Apóstolo: Que tens tu que te gloriares como se o tivesses de ti? Mas na cruz da tribulação de cada aflição nós nos podemos gloriar, porque "isso não é nosso" e assim diz o Apóstolo: "Não me quero gloriar, senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo". Ao qual sejam dadas honra e glória in secula seculorum. Amém.

  NOTA: Dizem que os tempos mudaram. Realmente, e muito!!! Mas as palavras do Divino Mestre permanecem para sempre: "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados". 

CARTA DE S. FRANCISCO DE ASSIS AOS GOVERNANTES DOS POVOS

   "A todos os potentados e conselheiros, juízes e governadores no mundo inteiro, e a todos quantos receberem esta carta, Frei Francisco, mísero e pequenino servo do Senhor, deseja saúde e paz.
   Considerai e vede que "se aproxima o dia da morte" (Gn 47, 29). Peço-vos pois com todo o respeito de que sou capaz que, no meio dos cuidados e solicitudes que tendes neste século, não esqueçais o Senhor nem vos afasteis dos Seus mandamentos. Pois todos aqueles que O deixam cair no esquecimento e "se afastam dos Seus mandamentos" são amaldiçoados" (Sl 118, 21) e serão por Ele entregues ao esquecimento" (Ez 33, 13). E quando chegar o dia da morte, "tudo o que entendiam possuir ser-lhes-á tirado" (Lc 8, 18). E quanto mais sábios e poderosos houverem sido neste mundo, tanto maiores "tormentos padecerão no inferno" (Sab. 6, 7).
   Por isso aconselho-vos encarecidamente, meus senhores, que deixeis de lado todos os cuidados e solicitudes e recebais com amor o santíssimo Corpo e o santíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, por ocasião de Sua santa memória.
   E rendei tão grande homenagem ao Senhor com o povo a vós confiado, que todas as tardes, que façais anunciar por um pregoeiro ou por outro qualquer sinal que todo o povo deverá render graças e louvores ao Senhor Deus todo-poderoso. E se o não fizerdes, sabei que haveis de dar conta perante Vosso Senhor Jesus Cristo no dia do Juízo.
   Os que levarem consigo este escrito e o observarem saibam que serão abençoados por Deus Nosso Senhor.

O APOSTOLADO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS - ( II ) -

Por Frei Thomás de Celano


S. Francisco por Margaritone de Aresco
   "Francisco, com o olhar fixo no exemplo de Cristo e dos Apóstolos, apresentou-se aos Sarracenos (=muçulmanos) como pregador do Evangelho da paz, da penitência, da graça e da verdade. Abrasado de amor divino, e desejando ardentemente receber o santo martírio, o bem-aventurado Pai quis passar à Síria, para pregar a fé cristã e a penitência aos Sarracenos e aos outros infiéis. Uma violenta   tempestade atirou-o, bem como aos seus companheiros, para as costas da Eslavônia, e teve ele assim de voltar à Itália por Ancona. Francisco, o servo do Altíssimo, afastando-se então do mar, pôs-se a percorrer a terra, revolveu-a com o arado da sua palavra e confiou-lhe a semente de vida que produziu frutos de bênção... O martírio ficou sendo para ele o fim sublime que sempre tinha o mesmo ardente desejo de atingir. Eis porque partiu para Marrocos a fim de pregar ao Sultão Miramolim e aos seus satélites o Evangelho de Cristo. Ia de tal modo entusiasmado que, às vezes, deixava o companheiro, e corria, de espírito embriagado, à frente de seu sonho. Mas o Senhor, em sua bondade, lembrou-se de mim e de muitos outros, Já Francisco havia chegado à Espanha, quando Deus lhe deteve os passos e, para o impedir de ir mais longe, mandou-lhe uma doença, que interrompeu a sua viagem.
   Nem por isso Francisco desanimou. Assim, no ardor da sua caridade por Cristo, um pouco mais tarde, expôs-se aos perigos  de uma viagem por mar, e foi ter com os infiéis e visitou o Sultão. "Era, diz Boaventura, uma temerária empresa, pois que o príncipe dos Sarracenos pusera a prêmio, e alto prêmio, a cabeça dos cristãos". Mas Francisco apresentou-se a ele com tal mansidão e tal brandura, e, ao mesmo tempo, com uma fé tão intrépida e uma tão santa liberdade. que o tirano não ousou fazer-lhe mal, ouviu-o mesmo com benevolência e permitiu-lhe que pregasse a doutrina cristã".
A estigmatização, por Giotto
   Celano cita a este respeito, palavras do próprio São Francisco: "A obediência suprema, em que a carne e o sangue não tomam parte alguma, é atingida quando, levados por uma inspiração divina, vamos para junto dos infiéis, quer para salvar as almas, quer para colher a palma do martírio". Procurar atingir isso era, a seu ver, fazer uma obra muito agradável a Deus. Sim, continua Celano, pode-se dizer, sem exagero, que ele (Francisco) foi, desde os tempos apostólicos, o primeiro mensageiro da fé que inscreveu na sua bandeira a conversão do mundo inteiro, cumprindo assim à risca a ordem dada pelo divino Salvador, e evangelizar o universo: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a todas as criaturas". "Nada, dizia Francisco, deve ser preferido ao trabalho da salvação das almas", e ele muitas vezes dava provas disso, lembrando que o Filho de Deus consentiu, pelas almas, em ser crucificado. Daí, o aplicar-se à oração, o seu grande interesse pela pregação, o seu extremo ardor em dar o bom exemplo. Não se considerava um amigo de Cristo se não amasse as almas que Cristo amou. O principal motivo da veneração que tinha pelos doutores, estava em que eles eram os auxiliares de Cristo e cooperavam com Cristo na sua obra. ... O novo cavaleiro de Cristo quis viver com seus Irmãos, não para si só, mas para aqueles pelos quais morrera Cristo.
Para os que entendem latim, eis as palavras de Frei Celano: "Conferebant pariter veri cultores iutitiae, utrum inter homines conversari deberent, an ad loca solitaria se conferre. Sed sanctus Franciscus, qui  non de industria propria confidebat, sed sancta oratione omnia praeveniebat negotia, elegit non sibi vivere soli, sed ei, qui pro omnibus mortuus est, sciens se ad hoc missum, ut Deo animas lucraretur, quas diabolus conatur auferre". (Celano, I, n. 35).
   "Francisco, diz (S.)  Boaventura, andava com tanto ardor para cumprir a ordem divina e com tal rapidez, que parecia conduzido pela mão de Deus e ter recebido do Alto uma virtude inteiramente nova". Continua Celano: "No decorrer dos dezoito anos, nunca ou quase nunca concedeu repouso ao seu corpo, percorrendo continuamente regiões diversas e longínquas, para permitir ao espírito, de prontidão, devoção e fervor que nele havia, espalhar por toda parte a semente da palavra divina. Enchia toda a terra com o Evangelho de Cristo, visitando num só dia cinco ou seis aldeias, e mesmo cinco ou seis cidades, anunciando em cada uma delas o reino de Deus, edificando os seus ouvintes com o exemplo como com a palavra, fazendo do seu corpo uma pregação viva".


  Reflexões: 1 -  Os modernistas, que negam a verdade objetiva e pregam a evolução dos dogmas, forjaram um Cristo a seu modo. Inventaram a ímpia distinção entre o Cristo histórico e o Cristo da fé. Assim desfazem o Evangelho e pregam o modernismo, que termina negando a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.  Como diz o Papa Bento XVI no seu livro "Jesus de Nazaré", esta cisão entre o "Cristo histórico  e o "Cristo da fé" "constitui uma ameaça dramática para a fé, porque se torna inseguro o seu ponto de referência mais autêntico: a íntima amizade com Jesus, da qual tudo depende, ameaça cair no vazio". Loisy, cabeça dos modernistas, foi excomungado por S. Pio X, justamente porque pregava de modo contumaz esta diabólica teoria.
   Inspirado por Deus, São Francisco de Assis fez exata e totalmente o contrário: Seguiu o Evangelho em toda sua perfeição, sem a mínima interpretação mitigada. O seu ideal foi seguir Nosso Senhor Jesus Cristo tal qual O mostram os Santos Evangelhos.
                      2 - Os modernistas querem  uma paz que não é a do Evangelho. Nosso Senhor Jesus Cristo disse: "Eu vos dou a minha paz, não vo-la dou, porém, como a dá o mundo". Jesus veio trazer a espada para combater o erro e o pecado. Só assim teremos a verdadeira paz. Só assim seremos verdadeiramente livres: pela graça santificante e pela verdade.  Como vimos, esta é a paz que São Francisco pregava.
   O progressismo, com exemplos e palavras, procura tranquilizar os hereges em seus erros, e os pecadores, em seus pecados. Jesus veio para nos dar a verdadeira paz  pregando a verdade e morrendo na cruz para destruir o pecado. São Francisco pregava a penitência para a remissão dos pecados. Desejou ardentemente morrer mártir pregando a verdade.
    Não falta infelizmente quem queira, fazendo verdadeira ginástica, defender os "Encontros de Assis"  dizendo que lá certamente estarão muitos de boa fé.  Devemos recordar que aqueles que estão de boa fé, estão por isso mesmo com o coração aberto à verdade. E em si não seria obra boa, sem julgar as intenções, o que só a Deus pertence,  em lugar de mostrar-lhes a verdade, confirmá-los nos seus erros.

                      3 - Se não me engano, o Papa Bento XVI no segundo Encontro de Assis não quis ir e mandou uma carta alertando contra o perigo de sincretismo religioso e de relativismo. Agora, diz que se vê obrigado a ir. Mas o Papa fez questão de frisar que pareceu-lhe melhor  coisa para ele, ir até lá pessoalmente, para fazer de tudo a fim de evitar qualquer interpretação de sincretismo religioso e relativismo. Isto tudo significa, para quem quer entender, que, no mínimo, trata-se de algo perigoso. O que é bom dispensa qualquer justificativa. Por exemplo, se se tratasse de um Encontro de Clérigos e leitos católicos chefiados pelo Papa, lá em Paray-le-Monial para pedir a paz ao Sagrado Coração de Jesus não se faria mister defesas e justificativas. Não haveria nenhum perigo, tanto mais que o Sagrado Coração de Jesus  prometeu dar a sua paz, que é a única verdadeira. 

                        4 -  A verdadeira paz nunca vai ser dada pelo mundo, cujo príncipe é o demônio, nem  muito menos pelos ídolos, porque são o próprio.
   Cabe a nós, caríssimos leitores, rezar muito pelo Santo Padre o Papa.