segunda-feira, 18 de abril de 2016

UMA PÁGINA DO PAPA PIO XI - Encíclica "Caritate Christi Compulsi" (1932)

É mais uma encíclica que o Papa Pio XI escreveu contra a Crise Social e Religiosa da Humanidade.
   "Valendo-se da crise econômica atual, os cabeças desta campanha de ateísmo (levem o nome de comunistas ou outro nome qualquer que seja ) esforçam-se, com satânica dialética, por fazer crer às multidões famintas que Deus e a religião são a causa desta miséria universal.
    Como recurso para debelar a crise o Papa Pio XI lembra a todo Orbe Católico a necessidade da oração e da penitência.
     "A obra piedosa outra nenhuma foram feitas, pelo Senhor Onipotente, promessas tão abundantes, tão universais e tão solenes, quais à oração: "Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; porque todo o que pede recebe; e o que busca acha; e ao que chama, abrir-se-lhe-á" (S. Mat. VII, 7 e 8). "Em verdade, em verdade vos digo: "Tudo o que pedirdes ao Meu Pai em Meu nome, Ele vo-lo dará" ( S.Jo.XVI, 23). Cita também São Paulo: "Exorto-vos, pois, antes de mais nada, que se façam súplicas, orações, petições, ações de graças por todos os homens: pelos reis e por todos os que estão constituídos em dignidade, para que vivamos vida sossegada e tranqüila, em toda piedade e honestidade; pois isto é bom e agradável diante de Deus, Nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" ( 1 Tim. II, 1-4).
    O outro recurso apresentado pelo Papa para se debelar a crise é a PENITÊNCIA.
   "À oração é mister que aconpanhe a penitência, o espírito e a prática da penitência cristã. Assim no-lo ensina o Divino Mestre, quando iniciou sua pregação pela penitência: "Jesus começou a pregar e a dizer: fazei penitência" (S. Mat. IV, 17). Assim no-lo ensina toda a Tradição cristã, a história de toda a Igreja nas grandes calamidades, nas grandes tribulações da Cristandade... Quanto mais se debilita a fé em Deus, tanto mais se ofusca e desaparece a idéia do pecado original e da primeira revolta do homem contra Deus. Motivo é este por que se perde sempre mais a noção da necessidade da penitência e da expiação.
   Nós, ao invés, Veneráveis Irmãos, por obrigação que decorre do nosso múnus pastoral, devemos manter em sua lídima significação e genuína nobreza e, mais ainda, em sua prática e urgente aplicação na vida cristã. A isso nos move a própria defesa de Deus e da Religião que defendemos, já que a penitência, por sua natureza, é um reconhecimento e restauração da ordem moral no mundo, a qual se fundamenta na lei eterna, ou seja, no Deus vivo. Quem presta satisfação a Deus pelo pecado reconhece a santidade dos princípios supremos da moralidade, sua força inerente de obrigação, a necessidade de punição contra a violação dos mesmos.
   Ter-se pretendido separar a Religião da moral, minando, assim, toda base sólida de qualquer legislação, é, sem dúvida, um dos mais perigosos desmandos do nosso tempo. Hoje, quando o ateísmo está se infiltrando nas classes populares, as consequências de tal erro se tornam palpáveis e entram no rol das realidades mais tristes. Em lugar das leis da moral que juntamente com a perda da fé em Deus se vão esquecendo, impõe-se a violência da força bruta, que pisa todo direito...
   "E não há, acaso, Venerávies Irmãos, em semelhante espírito de penitência, doce mistério de Paz? "Não há paz para os ímpios" (Isaías, XLIII, 22), diz o Espírito santo, porque vivem em luta constante e oposição à ordem estabelicida pela natureza e por seu Criador. Somente quando se restabelecer esta ordem; quando todos os povos, fiel e espontaneamente, a receberem e praticarem; somente quando as constituições internas dos povos e as relações internacionais e externas se assentarem sobre esta base; somente então será possível uma paz estável sobre a terra...
   E mesmo para os indivíduos, a penitência é fundamento e portadora de paz verdadeira, desprendendo-os dos bens terrenos e perecíveis, elevando-os para os bens eternos, e proporcionando-lhes, uma paz que o mundo não poderá dar, com todas as suas riquezas e prazeres. Um dos cânticos mais serenos e jubilosos que jamais se ouviu neste vale de lágrimas não é, porventura, o CÂNTICO DO SOL de São Francisco de Assis? Pois bem. Quem o compôs, quem o escreveu, quem o cantou, era um dos maiores penitentes, o Poverello de Assis, que absolutamente nada possuia na terra, e levava em seu corpo extenuado os estigmas dolorosos do Seu Senhor Crucificado. Por conseguinte, a oração e a penitência são os dois espíritos poderosos que Deus nos mandou em nossos dias, para que reconduzamos a Ele a humanidade desgarrada, errante e sem guia; são (oração e penitência) os espíritos que devem dissipar e reparar a causa primeira e fundamental de toda revolução e rebeldia: a rebelião do homem contra Deus...
 "E que ocasião mais oportuna poderíamos indicar-vos, Veneráveis Irmãos, para essa união de preces e atos de reparação, do que a próxima Festa do Sagrado Coração de Jesus? O espírito próprio desta solenidade é precisamente espírito de reparação amorosa. E por isso quisemos que todos os anos, perpetuamente, nesse dia, se realizassem, em todas as igrejas do orbe, atos públicos de desagravo por tantas ofensas com que se fere o Coração Divino...Derramem naquele Coração misericordioso que experimentou todas as agruras do coração humano, todas as mágoas; confirmem, em sua presença, a firmeza de sua fé, a garantia de sua esperança, o ardor de sua caridade. Interpondo o valioso patrocínio de Maria Santíssima, Medianeira de todas as graças; invoquem-no para suas famílias, para sua Pátria e pela Igreja; invoquem-no para o Vigário de Cristo na terra e para os demais Pastores que Conosco participam do peso enorme do governo espiritual das almas; invoquem-no por todos os irmãos na fé, por todos os irmãos extraviados, pelos incrédulos, pelos infiéis, pelos próprios inimigos de Deus e da Igreja, para que se convertam, numa palavra, para toda a pobre humanidade".
  NOTA BENE: Estamos, que Deus nos livre, à beira de uma nova crise econômica e o que frequentemente ouvimos e vemos, é terrorismo e guerras. Só o modernismo vive de novidades. Na Santa Igreja é sempre o mesmo espírito de oração e penitência. E o Papa Pio XI acaba de nos abrir o melhor precedente que devemos seguir. O Papa  nos mostra inclusive já o espírito de oração e penitência de São Francisco de Assis. Não sejamos ingênuos: sigamos de toda alma este verdadeiro espírito de São Francisco de Assis, espírito este que amparou a Igreja que, na época, estava ameaçando cair. Avivemos, outrossim, nossa devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
  

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